Política Internacional
Na ONU, Lula lamenta ausência de líder palestino e afirma que “nada justifica o genocídio em Gaza”
Presidente brasileiro criticou decisão do governo Trump de revogar vistos de representantes da Autoridade Palestina e defendeu a criação de um Estado independente como única solução para o conflito
23/09/2025
10:00
DA REDAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu, nesta terça-feira (23), a 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, com um discurso marcado por críticas à exclusão da Autoridade Nacional Palestina (ANP) do evento. Lula lamentou a ausência presencial do presidente Mahmoud Abbas, impedido de viajar aos Estados Unidos após o governo de Donald Trump revogar os vistos de mais de 80 representantes palestinos.
Genocídio em Gaza:
“Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo, mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”, afirmou Lula.
Fragilidade democrática:
O petista considerou “lamentável” que Abbas tenha sido impedido de ocupar a bancada da Palestina, classificando a decisão como um sinal de fragilidade democrática dentro da própria ONU.
Fome e deslocamento forçado:
“Em Gaza, a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente. Expresso minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva. O povo palestino corre o risco de desaparecer”, disse.
O conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas já dura quase dois anos e se intensificou a partir de outubro de 2023.
A ONU reconhece a Palestina como Estado Observador Não Membro desde 2012, sem direito a voto.
Mais de 140 países já reconheceram a Palestina como Estado soberano, incluindo o Brasil.
Para Lula, a única solução viável é a criação de dois Estados, com a Palestina convivendo ao lado de Israel e integrada à comunidade internacional.
Em agosto, o Departamento de Estado norte-americano revogou os vistos de entrada nos EUA de Abbas e outros dirigentes da ANP e da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), acusando-os de associações com o “terrorismo” e de minar as perspectivas de paz.
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