Palmas (TO), Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

Justiça / Democracia

Fachin defende Justiça firme e ética diante da polarização política

Presidente do STF afirma que imparcialidade não é indiferença e alerta que instituições precisam ser sólidas para evitar retrocessos

19/06/2026

18:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira, 19 de junho, que o cenário de polarização política exige da Justiça uma postura firme, serena e comprometida com a dignidade de todas as pessoas. A declaração foi feita durante o seminário “A Justiça do Amanhã”, realizado no Rio de Janeiro.

Em sua fala, Fachin destacou que a imparcialidade judicial não pode ser confundida com afastamento da realidade social. Para o ministro, o Judiciário precisa agir com equilíbrio, mas sem perder de vista sua responsabilidade institucional diante dos conflitos e das desigualdades.

“Imparcialidade não se confunde com indiferença. É preciso caminhar com firmeza, mas do lado da serenidade”, afirmou o presidente do STF.

O ministro também fez um alerta sobre o papel da ética na construção do futuro das instituições. Segundo ele, sem compromisso ético, qualquer avanço pode representar apenas uma aparência de modernização, sem verdadeiro progresso democrático.

“Um futuro sem ética é apenas uma versão refinada de retrocesso. Dentro da Justiça, estamos diante da questão de saber se seremos capazes de deixar um legado de instituições mais sólidas, éticas e confiáveis. Essa é uma pergunta desafiadora”, disse Fachin.

Ao tratar dos desafios das próximas décadas, o presidente do STF fez referência à imagem clássica da Justiça, representada pela deusa Têmis, símbolo do equilíbrio, da imparcialidade e da autoridade institucional. Para ele, o momento atual exige uma leitura mais atenta da realidade.

“Talvez agora precisemos de olhos bem abertos para enxergar realidades complexas que os autos e os números nem sempre conseguem revelar. Talvez, em vez da espada, precisemos da mão estendida para recordar que a finalidade da Justiça é construir possibilidades de convivência”, afirmou.

A fala de Fachin reforça a defesa de um Judiciário capaz de responder aos desafios institucionais sem abrir mão da serenidade, da técnica e da responsabilidade pública. Em um ambiente político marcado por tensões, o ministro apontou a ética como base para preservar a confiança da sociedade nas instituições.

O seminário “A Justiça do Amanhã” é organizado pela República.org, pelo IDG e pelo Museu do Amanhã, reunindo autoridades e especialistas para discutir o futuro do sistema de Justiça no Brasil.


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