Política / Eleições 2026
Com avanço do PSD, Tarcísio perde protagonismo nacional e fica à margem da disputa presidencial de 2026
Filiação de Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite consolida novo polo da direita, enquanto governador de São Paulo opta por lealdade ao clã Bolsonaro e restringe ambições nacionais
28/01/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A filiação dos governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) ao PSD redesenhou o tabuleiro da direita para as eleições presidenciais de 2026 e produziu um efeito colateral relevante: o esvaziamento do protagonismo nacional do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Antes apontado como o nome natural da direita moderada para disputar o Palácio do Planalto, Tarcísio passa a ocupar posição periférica no debate nacional, ao optar por não se colocar como pré-candidato à Presidência e manter alinhamento direto com o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu grupo político.
Com a entrada de Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite no PSD, o partido passa a concentrar três governadores em exercício, todos com mandatos bem avaliados, capilaridade eleitoral e discurso de centro-direita voltado à gestão, ao pragmatismo e à institucionalidade.
O movimento fortalece o PSD como plataforma nacional alternativa ao bolsonarismo, capaz de disputar o eleitorado conservador sem dependência direta do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sinalização pública dos três governadores é clara: a candidatura presidencial será definida de forma coletiva, com apoio mútuo, dentro de um projeto nacional.
Esse arranjo colocou o PSD no centro das articulações da direita, enquanto outras lideranças perderam espaço.
Nesse novo cenário, Tarcísio de Freitas fica isolado. O governador paulista já confirmou que será candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, abrindo mão, de forma explícita, de disputar a Presidência da República.
A decisão tem custo político. Ao se retirar do debate nacional, Tarcísio deixa de ser ator central na sucessão presidencial e se transforma em coadjuvante do bolsonarismo, limitado ao papel de aliado fiel, e não de liderança autônoma.
Nos bastidores, a avaliação é de que Tarcísio opta pela segurança do vínculo com Bolsonaro em vez de assumir o risco de uma candidatura própria, mesmo diante do enfraquecimento político do ex-presidente no cenário nacional.
A escolha de Tarcísio implica também um compromisso político direto: apoiar, caso se confirme, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, como representante do bolsonarismo.
Esse movimento reforça a percepção de que o governador paulista abdica de protagonismo nacional para preservar sua posição dentro do grupo bolsonarista, mesmo sabendo que Flávio Bolsonaro não possui, até o momento, desempenho competitivo em pesquisas nacionais.
Ao aceitar esse papel, Tarcísio se afasta do eleitorado de centro e dos setores que esperavam dele uma alternativa conservadora menos ideológica, mais institucional e com maior capacidade de diálogo fora do núcleo bolsonarista.
Há poucos anos, Tarcísio era visto como o nome mais viável da direita para o Planalto, reunindo apoio do mercado, de setores empresariais e de parte significativa do eleitorado conservador que buscava renovação.
Com a reorganização da direita em torno do PSD e a consolidação de um novo polo político fora do bolsonarismo, esse capital político se dilui. Hoje, o governador de São Paulo perde holofotes, deixa de ser referência nacional e passa a atuar exclusivamente como gestor estadual, sem influência direta na disputa presidencial.
O cenário que se desenha aponta para uma direita fragmentada, com dois campos distintos:
PSD, com Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, disputando o eleitorado conservador e de centro com discurso institucional;
Bolsonarismo, com candidatura ligada ao clã Bolsonaro, tendo Tarcísio de Freitas como aliado regional, e não como protagonista.
Ao escolher seguir o clã Bolsonaro em vez de se lançar como pré-candidato à Presidência, Tarcísio de Freitas se torna opaco no cenário nacional, abrindo espaço para que outros governadores assumam o papel de liderança da direita brasileira em 2026.
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