Política / Partidos
Janela partidária deixa PSD de Caiado mais próximo de Lula e União Brasil menos bolsonarista
Mudanças na janela partidária aproximam o PSD do governo Lula e deixam o União Brasil menos alinhado ao bolsonarismo.
07/04/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O fim da janela partidária mudou o perfil na Câmara de dois dos principais partidos do país. O PSD, que tem Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência, viu sua bancada de deputados se tornar mais nordestina e mais próxima do presidente Lula (PT). Já o União Brasil trocou quase metade dos seus assentos, com uma debandada de bolsonaristas e de ex-ministros da gestão petista.
O PSD saiu da janela com saldo positivo de dois deputados, após intensa movimentação interna: 14 deputados deixaram a legenda e 16 chegaram, o que fez o partido de Gilberto Kassab alcançar 49 cadeiras na Câmara. Na nova configuração, 20 parlamentares, cerca de 40% da bancada, representam o Nordeste.
Com isso, a região, onde nomes do centrão tendem a se aproximar de Lula por causa da popularidade do presidente, passou a ter a maior representatividade dentro do partido. Dos 16 recém-filiados, seis são eleitos por estados nordestinos. Entre eles, está o deputado Túlio Gadêlha (PE), identificado com a esquerda e com o presidente.
Enquanto isso, o Sudeste caiu de 15 para 13 deputados, passando a representar 26% da bancada. O Sul também perdeu espaço, saindo de nove para oito parlamentares. Segundo lideranças do PSD ouvidas sob reserva, a mudança deve tornar a bancada naturalmente mais próxima do governo federal. Hoje, o partido ocupa três ministérios na gestão petista: Pesca, Agricultura e Minas e Energia.
Essa nova composição também tende a ampliar a resistência interna à candidatura presidencial de Ronaldo Caiado. Grande parte das lideranças nordestinas do PSD deverá apoiar Lula já no primeiro turno, mesmo com a legenda tendo um nome próprio na disputa. Na prática, o ex-governador de Goiás pode não contar sequer com correligionários em seu palanque na região.
Internamente, a mudança também facilita a adesão do PSD a pautas governistas. O partido mantinha uma ala mais bolsonarista e alinhada à direita, mas boa parte desse grupo migrou para o PL, em busca do número 22 na urna. Outros deputados do Paraná deixaram a sigla após a desistência do governador Ratinho Junior de concorrer à Presidência.
Ao menos 121 dos 513 deputados federais trocaram de partido na atual janela partidária. O número ainda pode crescer, já que algumas mudanças não teriam sido oficialmente informadas à direção da Câmara.
O União Brasil, por sua vez, saiu numericamente menor. Foi o partido com mais movimentações no período, perdendo 29 deputados e filiando 21, o que reduziu sua bancada de 59 para 51 cadeiras.
O PL foi o principal destino dos deputados que deixaram o União Brasil. Ao todo, nove parlamentares migraram para a legenda do senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência. Por outro lado, dois ex-ministros do governo Lula também deixaram a sigla: Celso Sabino, do Turismo, foi para o PDT do Pará, e Juscelino Filho, das Comunicações, se filiou ao PSDB do Maranhão.
Nos bastidores, a avaliação é que a saída dos bolsonaristas e dos ex-ministros de Lula, embora tenha reduzido a bancada, pode deixar o União Brasil com menos conflitos internos. Em diferentes momentos, a ala mais à direita entrou em choque com parlamentares do centro, que resistiam a um alinhamento automático ao governo federal.
Com isso, segundo caciques partidários, o União Brasil tende a se tornar uma legenda mais tradicional do centrão, com maior coesão para atuar em bloco e definir posições sobre projetos e pautas na Câmara. Isso pode facilitar, inclusive, as negociações legislativas.
Mesmo assim, o partido precisou agir para evitar uma perda ainda maior. Durante a janela, o saldo negativo chegou a 16 parlamentares. Na reta final, porém, o tamanho do fundo eleitoral da sigla atraiu novos deputados. Interlocutores relatam que o presidente do partido, Antônio Rueda, telefonou pessoalmente para convidar congressistas a se filiarem.
A janela partidária é o período em que deputados federais e estaduais podem mudar de partido sem perder o mandato por infidelidade partidária. Isso porque a Justiça Eleitoral entende que o mandato pertence à legenda. Já os senadores podem trocar de partido a qualquer momento. Neste ano, a janela foi aberta em março e encerrada na última sexta-feira (3), seis meses antes da eleição marcada para outubro.
Ter uma bancada numerosa fortalece os partidos nas negociações políticas e amplia o potencial de eleger mais parlamentares. As mudanças, no entanto, não afetam agora a divisão do fundo eleitoral, que é distribuído majoritariamente de forma proporcional aos votos obtidos para a Câmara e ao número de deputados eleitos por cada legenda em 2022.
Dessa forma, ao mesmo tempo em que ter mais deputados fortalece politicamente uma sigla, também amplia o desafio de repartir recursos entre mais candidatos. Para quem perdeu quadros, a aposta é que a verba garantida na eleição anterior ajude a impulsionar a formação de uma nova bancada.
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