Política / Eleições 2026
Caso Banco Master acirra disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro após operação contra Ciro Nogueira
Ação da PF, derrota de Jorge Messias no Senado e articulações sobre CPI colocam escândalo no centro da pré-campanha presidencial
11/05/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O caso envolvendo o Banco Master ganhou força no cenário político nacional e passou a ocupar espaço estratégico na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A operação da Polícia Federal que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), somada à derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), antecipou um embate que já era esperado para a campanha eleitoral.
Aliados de Lula avaliam que o episódio deve ganhar protagonismo a partir de agosto, durante o período eleitoral. Mesmo assim, parte da base governista já começou a explorar politicamente a investigação, tentando associar o escândalo do Banco Master à direita e ao entorno de Jair Bolsonaro (PL).
Ciro Nogueira, que foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, era apontado como uma das possibilidades para compor a chapa de Flávio Bolsonaro como candidato a vice. A suspeita investigada é de que o senador teria recebido recursos do Banco Master para defender interesses da instituição no Congresso Nacional. O parlamentar nega as acusações.
Desde a operação da Polícia Federal, realizada na quinta-feira, 7 de maio, aliados da esquerda passaram a usar o caso nas redes sociais para desgastar Ciro Nogueira e, indiretamente, Flávio Bolsonaro. Integrantes da própria oposição reconhecem que o episódio abriu um flanco sensível para a pré-campanha do senador do PL.
A reação de Flávio Bolsonaro veio em vídeos gravados em estúdio. Nas publicações, ele afirmou defender as investigações, mas tentou transferir o desgaste para o governo federal e para o PT, questionando a postura da base governista em relação à criação de uma CPI do Banco Master.
O senador não citou diretamente Ciro Nogueira nas gravações, mas buscou associar suspeitas do caso a políticos ligados ao PT da Bahia. Em entrevista em Florianópolis (SC), na sexta-feira, 8 de maio, Flávio tentou se afastar do senador do PP e classificou as acusações como graves.
“Vocês querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula”, afirmou o parlamentar. Ele também declarou que não pode ser responsabilizado por atos de pessoas próximas a ele.
Apesar do potencial eleitoral do caso, Lula tem adotado uma postura cautelosa. Segundo aliados, o presidente orientou integrantes do governo a não comemorar a operação contra Ciro Nogueira, numa tentativa de evitar acusações de uso político da Polícia Federal contra adversários.
A cautela também tem relação com a necessidade de preservar pontes com o Congresso Nacional, especialmente após a derrota da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma vaga no STF.
Um dos argumentos usados por aliados do governo para afastar a tese de interferência política é o fato de o relator do caso no STF ser o ministro André Mendonça, indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
O episódio ocorre em um momento delicado na relação entre o governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Alcolumbre é próximo de Ciro Nogueira e também tem ligação política com o presidente da Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do Amapá, que aplicou recursos no Banco Master.
Segundo a matéria original, Alcolumbre sinalizou interesse em se reunir com Lula para restabelecer canais de diálogo. Esse contexto ajuda a explicar a postura mais cuidadosa do presidente, que tenta equilibrar o impacto político do escândalo com a necessidade de manter governabilidade no Congresso.
Mesmo entre petistas que defendem prudência, há uma avaliação comum: o caso Banco Master deve virar um dos temas centrais da eleição.
A rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF também entrou no cálculo político do governo. Aliados de Lula avaliam que a derrota pode ser usada como argumento eleitoral para sustentar a tese de que setores do centrão, da direita e de uma ala do sistema político atuam para barrar investigações sobre o Banco Master.
A estratégia discutida por petistas é transformar a derrota no Senado em uma pauta de campanha. A narrativa seria de que Messias, por ser evangélico e alinhado ao governo, foi rejeitado por contrariar interesses ligados ao avanço das apurações.
A ofensiva também deve incluir a derrubada do veto ao projeto da dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Para integrantes do PT, a votação da dosimetria e a ausência de pressão pela instalação da CPI do Master durante a sessão do Congresso fariam parte de um acordo político mais amplo.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o partido pretende expor o que considera um acordo entre setores do centrão e da direita para impedir a instalação da comissão parlamentar de inquérito.
Segundo ele, a articulação teria permitido, de um lado, a derrubada do veto da dosimetria e, de outro, a contenção da CPI do Banco Master.
“De um lado derrubou a dosimetria e do outro protegeu o ministro Alexandre de Moraes e os congressistas envolvidos com o Master, derrubando a CPI. Ficou claro esse acordo”, afirmou Pedro Uczai, conforme o texto-base.
A oposição, por sua vez, passou meses defendendo a criação da CPI. No entanto, o tema gerou impasse porque a instalação da comissão poderia ocorrer na primeira sessão do Congresso após a reunião das assinaturas necessárias. De acordo com a reportagem, Davi Alcolumbre teria indicado que não convocaria reunião para votar o veto da dosimetria enquanto a oposição não garantisse que não usaria a sessão para pressionar pela abertura da CPI.
Nas redes, a disputa já começou. Uma ala da esquerda antecipou o discurso eleitoral e partiu para o ataque contra Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), publicou uma montagem associando os senadores a suspeitas políticas, em tom de ironia.
Do outro lado, aliados de Flávio Bolsonaro admitem preocupação com o desgaste envolvendo Ciro Nogueira, mas indicam que não pretendem atacar diretamente o senador do PP, justamente por sua proximidade e pela possibilidade de uma aliança futura.
A estratégia do grupo de Flávio é responder ao governo lembrando que Ciro Nogueira já foi aliado de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, antes de ocupar a Casa Civil no governo Bolsonaro.
Embora Lula e Flávio Bolsonaro tentem evitar movimentos que rompam pontes políticas neste momento, o caso Banco Master já entrou no radar das campanhas. Para o governo, a investigação pode servir como instrumento de desgaste contra a direita. Para a oposição, o caminho será tentar vincular o escândalo ao PT e questionar a postura governista sobre a CPI.
O embate tende a crescer nos próximos meses, principalmente se novas fases da investigação atingirem nomes com influência no Congresso. Até lá, tanto governo quanto oposição devem medir cada movimento, tentando transformar o caso em vantagem política sem comprometer alianças consideradas importantes para a disputa eleitoral.
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