Política / Eleições 2026
Joaquim Barbosa se filia ao DC e pode disputar a Presidência em 2026
Partido aposta na imagem de ética do ex-presidente do STF, mas enfrenta desafio de estrutura, recursos e tempo de TV
17/05/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, de 71 anos, filiou-se no início de abril ao DC (Democracia Cristã). A legenda pretende lançá-lo como candidato à Presidência da República nas eleições deste ano.
Presidido pelo ex-deputado federal João Caldas (AL), o partido havia apresentado no início do ano a pré-candidatura presidencial do ex-ministro Aldo Rebelo. Como o nome não avançou nas pesquisas, a direção do DC passou a trabalhar com a possibilidade de oferecer a Aldo a disputa por outro cargo.
Procurado, Joaquim Barbosa não quis comentar a filiação nem a possível candidatura presidencial.
Barbosa permaneceu 11 anos no STF, período em que presidiu a Corte e ganhou projeção nacional como relator do processo do mensalão. Ele se aposentou em 2014 e, desde então, passou a atuar na elaboração de pareceres jurídicos.
Esta não é a primeira vez que o nome do ex-ministro aparece em uma discussão presidencial. Em 2018, quando estava filiado ao PSB, Barbosa chegou a avaliar uma candidatura ao Palácio do Planalto, mas acabou desistindo antes da oficialização da disputa.
Desta vez, o DC acredita que o cenário pode ser diferente. A legenda realizou pesquisas qualitativas para testar o nome do ex-ministro e considerou positivo o resultado, especialmente pela identificação de Barbosa com a bandeira da ética na vida pública.
Além da pauta ética, outro eixo que deve ser explorado em uma eventual campanha é a defesa de reformas no Judiciário. Entre os temas avaliados pelo partido estão a criação de regras de conduta para ministros do STF e a imposição de limites a benefícios adicionais, conhecidos como penduricalhos.
O debate ocorre em um momento de desgaste da imagem do Supremo, citado no texto original como marcado por uma crise de imagem em razão da associação com o escândalo do Banco Master.
A trajetória pessoal de Joaquim Barbosa também é vista pela direção do DC como um ativo eleitoral. Nascido em uma família pobre de Minas Gerais, ele construiu carreira jurídica até chegar à presidência do Supremo Tribunal Federal, tornando-se uma das figuras mais conhecidas do Judiciário brasileiro.
O principal desafio da legenda será oferecer estrutura de campanha ao ex-ministro. O DC é um partido pequeno, com poucos recursos, sem tempo relevante de televisão e sem garantia de participação nos debates presidenciais.
Para tentar superar essas limitações, João Caldas já iniciou conversas com dirigentes de outras siglas em busca de alianças. A aposta do partido é que Barbosa consiga pontuar bem nas próximas pesquisas eleitorais e, com isso, desperte o interesse de possíveis aliados.
Caso a candidatura avance, Joaquim Barbosa entrará na disputa tentando ocupar um espaço alternativo em meio à polarização nacional, com discurso centrado em ética, Judiciário e renovação política.
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