Palmas (TO), Terça-feira, 30 de Junho de 2026

Política / Eleições 2026

Michelle deixa comando do PL Mulher, mas não descarta candidatura ao Senado

Ex-primeira-dama afirmou que vai se dedicar ao marido e à filha, mas aliados dizem que projeto eleitoral segue em aberto

30/06/2026

20:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou nesta terça-feira, 30 de junho, a presidência do PL Mulher, ala feminina do Partido Liberal. Apesar da renúncia ao cargo interno, aliados afirmam que ela não descartou disputar uma vaga ao Senado.

A decisão foi comunicada ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, durante reunião realizada nesta terça-feira. Mais cedo, circularam informações de que Michelle teria desistido da pré-candidatura ao Senado, mas ela não fez anúncio oficial nesse sentido.

Segundo aliados, a ex-primeira-dama afirmou que “o momento é do marido, que precisa” dela. A declaração foi interpretada como justificativa para deixar a coordenação da ala feminina do partido e se dedicar ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à filha.

Michelle Bolsonaro formalizou a saída por meio de uma carta. No documento, disse que tomou a decisão após refletir com o marido sobre o momento vivido pela família.

“Na condição de presidente do Partido Liberal Mulher, venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar integralmente aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, afirmou.

A saída ocorre em meio à crise entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, pré-candidato à Presidência. A ex-primeira-dama publicou vídeos nas redes sociais afirmando ter sido “humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado.

Segundo ela, o episódio ocorreu durante divergências sobre a estratégia política do PL no Ceará, especialmente em relação à aproximação da legenda com Ciro Gomes, do PSDB.

Nos bastidores, Michelle teria dito a pessoas próximas que não deseja prolongar a confusão com Flávio Bolsonaro e que já falou o que tinha a dizer sobre o senador.

Com a renúncia, caberá a Valdemar Costa Neto definir quem assumirá a coordenação nacional do PL Mulher. A estrutura é considerada estratégica para organizar candidaturas femininas, ampliar filiações e reforçar a presença do partido entre eleitoras.

Michelle Bolsonaro comandava o PL Mulher desde 2023 e era vista como uma das principais lideranças femininas do campo conservador. Sua saída representa mudança importante na organização interna do partido em um momento de articulação para as eleições de 2026.

A indefinição sobre sua candidatura ao Senado mantém aberto o cenário no Distrito Federal. Na prática, a renúncia ao comando partidário reduz sua exposição administrativa dentro do PL, mas não encerra sua participação no projeto eleitoral da legenda.


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