Palmas (TO), Segunda-feira, 13 de Julho de 2026

Política / Eleição 2026

Damares defende Michelle Bolsonaro e chama críticos da direita de “aloprados”

Senadora nega ter abandonado a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e anuncia medidas contra ataques que classifica como violência política de gênero

13/07/2026

15:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) saiu em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e reagiu aos ataques dirigidos às duas por integrantes e eleitores da própria direita. Em discurso no plenário do Senado Federal, nesta segunda-feira (13), a parlamentar chamou os autores das ofensivas nas redes sociais de “aloprados de internet”.

Damares afirmou que passou a ser acusada de abandonar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Ela negou qualquer rompimento político e pediu que os apoiadores verifiquem as declarações originais antes de compartilhar conteúdos.

“Os aloprados de internet, eu não devo satisfação para eles. Então, povo brasileiro, quando começarem a falar de um soldado da direita, vá lá na rede do soldado e veja o que ele disse antes de vocês começarem a compartilhar”, declarou.

Ao final do pronunciamento, a senadora reiterou que Flávio continua sendo seu pré-candidato ao Palácio do Planalto e afirmou permanecer ao lado de Michelle e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Senadora relata ataques pessoais

Damares disse que as críticas ultrapassaram o debate político e passaram a atingir sua honra, sua imagem e sua vida pessoal. Segundo a parlamentar, algumas publicações chegaram a atribuir a ela um relacionamento extraconjugal com um pastor casado, acusação que classificou como falsa.

“São ataques à honra, à moral, à imagem e ataques vindo de pessoas que eu considerava aliadas”, afirmou.

A senadora declarou que pretende representar contra os responsáveis e que deverá receber apoio da advocacia do Senado. Para ela, as ofensivas podem ser enquadradas como violência política de gênero.

Damares também questionou se existe alguma articulação organizada ou financiamento por trás dos ataques, mas não apresentou nomes ou provas sobre quem estaria coordenando a ofensiva.

“Quem está financiando tudo isso? A quem interessa essa fragilidade da direita?”, perguntou.

Alerta sobre desgaste interno

Durante o discurso, a senadora afirmou que os ataques entre integrantes do mesmo campo político podem desgastar a direita diante do eleitorado.

“Parem de atacar os soldados da direita. Daqui a pouco o Brasil vai dizer: ‘eu não quero isso, não’. Isso é muito ruim. Eles atacam os próprios soldados deles. O que eles vão fazer com a gente?”, declarou.

A fala ocorre em um momento de divisão pública no grupo bolsonarista. Nas últimas semanas, Michelle e Flávio trocaram acusações, ampliando uma disputa que envolve espaços de influência dentro do PL e a condução da pré-campanha presidencial de 2026. A crise também levou Michelle a deixar o comando do PL Mulher, movimento interpretado como um revés para a estratégia eleitoral de Flávio entre mulheres conservadoras e evangélicas. 

Apoio público a Michelle

Damares dedicou parte do pronunciamento a Michelle, a quem chamou de amiga. A senadora afirmou que a ex-primeira-dama enfrenta os ataques sem uma bancada feminina organizada para defendê-la.

“Ela está sozinha, só com as pessoas que a amam. Ela não tem uma bancada feminina para defendê-la”, disse.

Em seguida, dirigiu-se diretamente a Michelle:

“Enquanto eu tiver força, vou dizer para o Brasil que você é uma mulher digna, justa, honesta, que você não trai, que você não mente, que você não se corrompe.”

Apesar da defesa enfática, Damares procurou separar o apoio pessoal a Michelle de sua posição eleitoral. A parlamentar reafirmou que continua apoiando Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência.

Confronto começou após ligação telefônica

A crise pública ganhou força depois que Michelle publicou um vídeo relatando ter sido tratada de maneira ríspida por Flávio durante uma conversa telefônica.

Segundo a ex-primeira-dama, ela tentou entrar em contato com o senador e recebeu uma ligação de retorno algumas horas depois. Michelle afirmou que foi desrespeitada e maltratada, apesar de, segundo sua versão, não ter feito nada contra o enteado.

Flávio reconheceu posteriormente que havia adotado um tom inadequado e pediu desculpas pela maneira como conversou com Michelle. O episódio, no entanto, não encerrou a divergência, que se tornou pública e passou a envolver aliados dos dois lados. A disputa expôs dificuldades da pré-campanha de Flávio justamente entre o eleitorado feminino, segmento no qual Michelle possui forte influência. 

Vídeo sobre Banco Master reabriu tensão

A relação voltou a se deteriorar depois que Michelle compartilhou um vídeo relacionado a festas atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A publicação associava o ambiente dos eventos a Flávio Bolsonaro.

O senador reagiu publicamente e afirmou que Michelle estava desinformada ao compartilhar um conteúdo que poderia sugerir sua participação nas festas. O episódio aprofundou a troca de críticas entre o pré-candidato e a ex-primeira-dama.

A disputa interna passou a ser acompanhada com preocupação por aliados, porque Michelle é considerada uma das principais vozes do bolsonarismo entre mulheres e grupos evangélicos. Sua saída do PL Mulher e o afastamento de atividades ligadas à campanha reduziram um ativo político importante para Flávio. 

Carta de Jair Bolsonaro amplia disputa pelo comando político

No último sábado (11), Flávio leu publicamente uma carta escrita por Jair Bolsonaro. No documento, o ex-presidente apresentou o filho como seu “porta-voz” e defendeu a união dos aliados em torno da pré-candidatura presidencial.

A divulgação reforçou a posição de Flávio como sucessor político escolhido pelo pai, mas também elevou a tensão dentro do grupo. A carta foi publicada enquanto Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar com restrições à comunicação política por meio de terceiros.

Nesta segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibiu Flávio de visitar o pai por 90 dias após entender que a divulgação da carta teria violado as condições impostas ao ex-presidente. A defesa foi chamada a explicar se Jair Bolsonaro sabia que o documento seria publicado nas redes sociais.

O discurso de Damares busca conter o desgaste e demonstrar que é possível apoiar simultaneamente a candidatura de Flávio e defender Michelle. A reação também evidencia, porém, que a disputa familiar já ultrapassou o ambiente privado e passou a afetar diretamente a organização política da direita para as eleições de 2026.


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