POLÍTICA
Moraes retira sigilo da delação de Mauro Cid e abre prazo para defesa de Bolsonaro e demais denunciados
Depoimentos do militar foram cruciais para o avanço da investigação sobre tentativa de golpe
19/02/2025
13:35
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (19) a retirada do sigilo dos depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, peça-chave na investigação da trama golpista atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados no fim de 2022.
A delação de Cid foi um dos principais elementos utilizados pela Polícia Federal (PF) para embasar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro e outras 33 pessoas, apresentada na terça-feira (18).
Segundo Moraes, a conclusão da fase de investigação justifica o fim do sigilo, pois já não há necessidade de resguardar o conteúdo para preservar o interesse público ou os direitos do colaborador.
📌 "A manutenção geral do excepcional sigilo da colaboração premiada não mais se justifica na preservação ao interesse público, pois não é mais necessária, nem para preservar os direitos assegurados ao colaborador, nem para garantir o êxito das investigações", afirmou Moraes no despacho.
Além da retirada do sigilo da delação, Moraes abriu prazo de 15 dias para que as defesas dos denunciados apresentem suas manifestações sobre a denúncia da PGR.
🔹 Somente após essas respostas, a Primeira Turma do STF se reunirá para decidir se aceita ou rejeita a denúncia.
🔹 Se aceita, Bolsonaro e os demais investigados se tornam réus e uma ação penal será instaurada.
🔹 Os prazos são simultâneos para todos os denunciados, incluindo Mauro Cid, que, como colaborador premiado, só poderá apresentar suas alegações finais após as manifestações das defesas dos demais acusados.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi denunciado ao STF pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, sob a acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após perder as eleições de 2022.
📌 Crimes atribuídos a Bolsonaro pela PGR:
✔️ Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
✔️ Golpe de Estado
✔️ Dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União
✔️ Deterioração de patrimônio tombado
✔️ Participação em organização criminosa
📌 Possíveis consequências:
🔸 Pena máxima de até 43 anos de prisão (sem contar agravantes)
🔸 Risco de aumento do período de inelegibilidade, além dos oito anos já impostos pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
Além de Bolsonaro, outros 33 investigados foram denunciados. Entre eles está o ex-ministro da Defesa e candidato a vice-presidente em 2022, Walter Braga Netto, que permanece preso preventivamente.
📌 Atualmente, seis dos denunciados estão detidos, incluindo Braga Netto.
A retirada do sigilo da delação de Mauro Cid e a abertura de prazo para defesa dos denunciados marcam um novo estágio no julgamento da tentativa de golpe de Estado. O andamento do caso reforça a linha dura do STF na investigação e responsabilização dos envolvidos nos atos golpistas.
Com a possibilidade de uma condenação histórica, Bolsonaro e seus aliados enfrentam um cenário jurídico cada vez mais delicado, enquanto o Brasil segue acompanhando os desdobramentos do processo.
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