Política / Justiça
Lula reage a sanção dos EUA contra Moraes: “Intimidação não funcionará”
Após revogação de vistos pelo governo Trump, presidente brasileiro defende STF e condena tentativa de interferência estrangeira
19/07/2025
09:15
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou apoio ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), neste sábado (19), após o governo de Donald Trump revogar o visto do magistrado e de outros integrantes da Corte. A retaliação, classificada como “arbitrária” pelo Planalto, ocorreu horas depois de Moraes determinar medidas cautelares contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Em nota oficial, Lula afirmou que a medida dos Estados Unidos “fere os princípios básicos do respeito e da soberania entre as nações” e garantiu que nenhum tipo de pressão internacional vai intimidar o sistema de Justiça brasileiro:
“Minha solidariedade e apoio aos ministros do STF atingidos por mais uma medida arbitrária e completamente sem fundamento do governo dos EUA. Estou certo de que nenhum tipo de intimidação ou ameaça comprometerá a missão das instituições nacionais: a defesa do Estado Democrático de Direito”, declarou Lula.
A decisão foi anunciada na sexta-feira (18) pelo secretário de Estado Marco Rubio, a mando do presidente norte-americano Donald Trump. Além de Alexandre de Moraes, outros sete ministros do STF e seus familiares tiveram seus vistos revogados com efeito imediato.
Segundo Rubio, a ação visa responder à “caça às bruxas” promovida contra Jair Bolsonaro — narrativa adotada por Trump para justificar o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, em vigor a partir de 1º de agosto. Entre os ministros afetados estão:
Luís Roberto Barroso
Dias Toffoli
Cristiano Zanin
Flávio Dino
Cármen Lúcia
Edson Fachin
Gilmar Mendes
Apenas Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques — este último indicado por Bolsonaro — não foram atingidos.
Diversas autoridades do governo Lula condenaram a decisão norte-americana:
O advogado-geral da União, Jorge Messias, classificou o ato como uma tentativa de intimidação:
“Nenhum expediente inidôneo ou ato conspiratório sórdido intimidará o Poder Judiciário brasileiro em seu agir independente e digno”, declarou em rede social.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), também reagiu com veemência:
“Trata-se de uma afronta ao Judiciário brasileiro e à soberania nacional. Essa retaliação agressiva e mesquinha revela o nível da conspiração de Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro contra o Brasil”, afirmou.
A revogação de vistos e o tarifaço de Trump intensificam a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. No centro das tensões está a defesa de Jair Bolsonaro por aliados nos EUA, liderados por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também atacou Moraes em entrevistas e sugeriu que o Brasil pode ser “mergulhado no caos” caso não ceda às exigências de Trump.
A narrativa trumpista sustenta que o ex-presidente brasileiro é vítima de perseguição política, tese rejeitada pelo STF, que conduz diversas ações penais contra Bolsonaro por tentativa de golpe, obstrução de Justiça e ataques ao sistema eleitoral.
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