Política Internacional
María Corina Machado recebe o Prêmio Nobel da Paz de 2025 por defender a democracia na Venezuela
Líder opositora é reconhecida pelo Comitê Norueguês por sua resistência pacífica ao regime de Nicolás Maduro e por manter viva a esperança de liberdade em meio à repressão
10/10/2025
07:30
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A líder opositora venezuelana María Corina Machado foi anunciada nesta sexta-feira (10) como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, em cerimônia realizada em Oslo, na Noruega.
O Comitê Norueguês do Nobel reconheceu a política “por seus esforços persistentes em favor da restauração pacífica da democracia e dos direitos humanos na Venezuela”.
A premiação inclui 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões) e será entregue oficialmente em 10 de dezembro, data tradicional da entrega dos prêmios Nobel.
María Corina Machado é descrita pelo Comitê como “uma das vozes mais corajosas da América Latina” e “um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil em tempos recentes”.
O texto destaca que, mesmo diante de ameaças, censura e perseguição, a líder optou por permanecer no país e seguir mobilizando a sociedade em defesa de eleições livres e da restauração do Estado de Direito.
“A democracia é uma condição prévia para a paz duradoura. Quando líderes autoritários tomam o poder, é essencial reconhecer os defensores da liberdade que se erguem e resistem”, afirmou o Comitê em nota oficial.
Impedida de concorrer nas eleições presidenciais de 2024, marcadas por falta de transparência e repressão, Machado apoiou o candidato Edmundo González Urrutia, que, segundo observadores internacionais, teria vencido o pleito — resultado não reconhecido pelo regime de Nicolás Maduro.
Após as eleições, a líder passou a viver escondida, sob vigilância e ameaças constantes. Mesmo assim, continuou articulando o movimento de oposição “Súmate”, fundado há mais de 20 anos para fiscalizar eleições e promover o voto livre.
“Ela manteve-se na Venezuela, mesmo sob grave risco, inspirando milhões de pessoas”, destacou o Comitê.
O Comitê lembrou que a Venezuela vive uma das piores crises humanitárias e políticas das Américas, marcada por pobreza extrema, censura e êxodo de mais de 8 milhões de cidadãos.
A repressão sistemática inclui prisões arbitrárias, torturas e bloqueio de candidaturas opositoras.
A escolha de Machado é vista como um forte recado internacional contra o autoritarismo e um apoio moral à resistência democrática venezuelana.
“Os instrumentos da democracia são também os instrumentos da paz”, afirmou o comunicado oficial. “María Corina Machado personifica a esperança de um futuro em que os direitos fundamentais dos cidadãos sejam respeitados.”

Nascida em 1967, em Caracas, Machado é engenheira e economista, com trajetória marcada pela defesa dos direitos civis e transparência eleitoral.
Em 2023, lançou sua candidatura à Presidência, mas teve a inscrição barrada pelo regime Maduro. Mesmo assim, seguiu atuando como porta-voz da oposição democrática.
Em entrevista anterior à imprensa internacional, definiu seu propósito como “a luta por uma transição pacífica da ditadura à democracia, com justiça e liberdade para todos os venezuelanos”.

Criado por Alfred Nobel (1833–1896), o Prêmio da Paz é concedido a pessoas ou instituições que contribuam para a fraternidade entre as nações, a redução de armamentos e a promoção de congressos de paz.
É o único Nobel entregue na Noruega, e não na Suécia, conforme determinação do próprio Nobel em testamento.
O Comitê Norueguês é composto por cinco membros indicados pelo Parlamento norueguês para mandatos de seis anos.
Machado é a 20ª mulher a receber o Nobel da Paz desde a criação da premiação, em 1901.
Entre os nomes célebres estão Martin Luther King Jr., Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Malala Yousafzai, o Dalai Lama e a Cruz Vermelha.
O prêmio de 2024 havia sido concedido à organização japonesa Nihon Hidankyo, que representa sobreviventes dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.
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