Polícia / Justiça
Reviravolta: corpo encontrado com tiro de fuzil no rosto não é da “Japinha do CV”
Jovem conhecida como “Penélope” não aparece na lista oficial de mortos da megaoperação no Rio; paradeiro da traficante segue desconhecido
03/11/2025
17:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A suposta morte da jovem conhecida como “Japinha do CV” ou “Penélope”, apontada como uma das principais integrantes do Comando Vermelho (CV), ganhou novos desdobramentos nesta segunda-feira (3). A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que o corpo encontrado com o rosto desfigurado por um tiro de fuzil durante a megaoperação da semana passada não pertence à criminosa.
O corpo, que estava fardado, com roupa camuflada e colete tático, foi inicialmente identificado de forma equivocada nas redes sociais. Segundo fontes da coluna Na Mira, que teve acesso a áudios de policiais envolvidos na operação, o cadáver é, na verdade, de um homem, cuja identidade ainda não foi divulgada oficialmente.
A confirmação veio após a divulgação da lista oficial de mortos no confronto — 115 suspeitos foram identificados até agora, todos do sexo masculino. Nenhuma mulher, incluindo a chamada “Japinha do CV”, consta entre os mortos.
A jovem, que aparece em imagens amplamente divulgadas nas redes sociais empunhando um fuzil e vestida com roupa de guerra, era investigada por atuar na linha de frente do Comando Vermelho, ajudando na proteção de rotas de fuga e pontos estratégicos de tráfico nas comunidades do Alemão e da Penha.
“Penélope” era considerada uma figura simbólica dentro da facção, tida como uma espécie de “musa do crime”, cuja imagem era usada em redes sociais para glamourizar a violência e o poder do tráfico.
Após os confrontos, imagens explícitas de um corpo baleado no rosto passaram a circular nas redes com a legenda de que se tratava da “Japinha do CV”. No entanto, a Polícia Civil jamais confirmou a morte da mulher, e os peritos da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) descartaram a identificação após análise das vítimas.
A repercussão do caso também gerou uma onda de desinformação, com criação de perfis falsos usando fotos da jovem para pedir doações via Pix, divulgar casas de apostas e até se passar por familiares da suposta vítima.
A irmã da “Japinha” chegou a se pronunciar nas redes sociais, pedindo respeito e o fim da circulação de imagens violentas.
“Parem de publicar fotos da minha irmã morta. Vocês não sabem da dor que isso causa”, escreveu em um dos perfis.
A ação policial, considerada a mais letal da história do país, ocorreu no Complexo do Alemão e na Penha, com o objetivo de conter o avanço territorial do Comando Vermelho e cumprir mais de 100 mandados de prisão.
Segundo a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ):
59 mortos tinham mandados de prisão pendentes;
97 apresentavam histórico criminal relevante;
12 exibiam indícios de envolvimento com o tráfico em redes sociais.
A maioria dos mortos não era do Rio de Janeiro — 54% vieram de outros estados, incluindo Pará (19), Bahia (12), Amazonas (9), Goiás (9) e outros, totalizando 11 unidades da Federação.
Esses dados confirmam a presença nacional da facção e sua rede de cooperação interestadual para o controle de pontos estratégicos do tráfico de drogas.
As circunstâncias das mortes estão sendo apuradas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), com acompanhamento do Ministério Público.
Paralelamente, a Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) da Polícia Civil investiga o vínculo dos mortos com o Comando Vermelho e busca localizar o paradeiro de “Penélope”, que segue foragida ou possivelmente escondida após a operação.
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