Palmas (TO), Sábado, 10 de Janeiro de 2026

Educação

Governo Lula editará MP para garantir reajuste do piso dos professores acima da inflação em 2026

Medida provisória evitará aumento simbólico de R$ 18 e assegurará ganho real à categoria

09/01/2026

12:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai editar, nos próximos dias, uma Medida Provisória para garantir que o reajuste do piso nacional dos professores em 2026 fique acima da inflação, evitando a aplicação automática da regra atual que resultaria em um aumento praticamente simbólico.

O ministro da Educação, Camilo Santana, tratou do tema diretamente com Lula nesta quinta-feira (8) e o MEC deve encaminhar ainda hoje o texto ao Palácio do Planalto. A publicação da MP está prevista para a próxima semana, segundo informações confirmadas à imprensa.

Pela regra vigente, que atrela o reajuste à variação do Fundeb, o piso dos professores teria aumento de apenas 0,38%, muito abaixo da inflação estimada de cerca de 4% em 2025. Com isso, o piso atual de R$ 4.867,77 para jornada de 40 horas semanais teria reajuste de apenas R$ 18.

Camilo Santana descartou essa possibilidade.
“Nenhum professor pode ganhar menos que a variação da inflação, e estamos trabalhando para um reajuste real para o professor”, afirmou o ministro.

MP garante aumento imediato

Ao optar por uma Medida Provisória, o governo garante que o reajuste entre em vigor imediatamente após a publicação, com validade de até 120 dias, enquanto o Congresso Nacional discute novas regras permanentes para os próximos anos.

Caso a alternativa fosse um projeto de lei, o trâmite legislativo impediria a concessão de qualquer aumento já em 2026.

A equipe técnica do MEC trabalha agora nos cálculos para definir o percentual exato do reajuste.

Pressão de estados, municípios e professores

Cerca de dois milhões de professores da educação básica pública são pagos por estados e prefeituras, que arcam com o impacto financeiro do piso nacional. Por isso, o tema vem gerando forte resistência dos governos estaduais e pressão da categoria.

O deputado Rafael Brito, presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, afirmou que a MP é a única saída no curto prazo.
“A gente precisa solucionar o problema de 2026. A solução é através de medida provisória”, disse.

A Frente Parlamentar divulgou nota afirmando que “não é aceitável que uma categoria estratégica para o futuro do Brasil seja submetida a um reajuste tão reduzido, incapaz sequer de recompor as perdas inflacionárias”.

Já o presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Heleno Araújo, criticou a demora do governo em ajustar a lei.
“Desde setembro de 2023 temos alertado sobre isso. Ficou protelando e chega nessa situação, bem complicada”, afirmou.

A CNTE defende um reajuste pelo INPC mais 50% da média de crescimento do Fundeb nos últimos cinco anos, o que resultaria em um aumento de 6,25%.

Estados pedem responsabilidade fiscal

O Consed, que reúne os secretários estaduais de Educação, divulgou nota defendendo que o índice atual segue a legislação vigente e lembrou que houve aumentos expressivos nos últimos anos.

O órgão informou que já apresentou ao MEC e ao Comsefaz uma proposta de reposição da inflação com ganho real, desde que compatível com a capacidade financeira dos estados.

Histórico do piso

A Lei do Piso do Magistério vigora desde 2009 e prevê reajuste anual conforme a variação do Fundeb. Em 2024, o reajuste foi de 6,27%. Em 2022, chegou a 33,24%, apesar de tentativa do governo Jair Bolsonaro de não aplicar o aumento.

Desde a reformulação do Fundeb em 2020, com mais recursos federais, há consenso de que a fórmula do piso precisa ser atualizada — mas isso ainda não foi feito.

Atualmente, os professores recebem, em média, 86% do salário de outros profissionais com ensino superior, segundo o Inep. Em 2012, esse índice era de apenas 65%.

Com a Medida Provisória, o governo Lula busca garantir ganho real aos professores em 2026, enquanto transfere ao Congresso a responsabilidade de construir uma nova regra permanente para o piso do magistério.


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