Política Nacional
Eduardo Bolsonaro pressiona Tarcísio e afirma que governador “não tem opção” contra candidatura de Flávio à Presidência
Declaração explicita tensões no bolsonarismo, amplia pressão sobre o governo paulista e consolida Flávio Bolsonaro como aposta do grupo para 2026
22/01/2026
13:30
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (22) que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, “não tem a opção de ir contra” a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A declaração, feita em entrevista ao portal Jornal Razão, expõe divergências internas no bolsonarismo e aumenta a pressão sobre o chefe do Executivo paulista em meio às articulações para as eleições de 2026.
Segundo Eduardo, Tarcísio ganhou projeção nacional como ministro da Infraestrutura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e, posteriormente, foi eleito governador de São Paulo com apoio direto do então presidente. Para ele, um eventual distanciamento do projeto presidencial do clã Bolsonaro poderia colocar Tarcísio em rota de colisão com a base bolsonarista, repetindo o destino político do ex-governador paulista João Doria, hoje visto como “traidor” por setores da direita.
“O Tarcísio não tem a opção de ir contra o Bolsonaro. Se tentar um caminho diferente, no barato, vai se equiparar ao João Doria”, afirmou Eduardo.
Na avaliação do ex-deputado, o desenho político já está definido: Flávio Bolsonaro será o candidato do grupo à Presidência, enquanto Tarcísio de Freitas disputará a reeleição em São Paulo. Eduardo afirmou ainda que outros nomes da direita, como o governador do Paraná Ratinho Júnior, até podem entrar na corrida, mas com chances reduzidas, diante de um cenário que ele considera já polarizado.
“Para presidente, vai ser Lula contra Flávio Bolsonaro”, disse, projetando uma disputa direta com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As declarações ocorreram após o adiamento de uma visita de Tarcísio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, prevista para ocorrer no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Oficialmente, o cancelamento foi justificado por compromissos no Estado de São Paulo. Nos bastidores, contudo, aliados relataram que o governador avaliou que o encontro poderia resultar em cobranças públicas por um apoio mais explícito à candidatura presidencial de Flávio.
Interlocutores apontam que Tarcísio tem demonstrado desconforto com a pressão constante de setores do bolsonarismo, avaliando que, para parte do grupo, nenhum gesto de alinhamento é suficiente. Após o recuo, o governador passou a ser alvo de críticas abertas, inclusive do vice-prefeito da capital paulista, Mello Araújo (PL).
O embate se intensificou após declarações do pastor Silas Malafaia, que defendeu Tarcísio como candidato da direita à Presidência, tendo Michelle Bolsonaro como vice. Em reação, Eduardo publicou imagens do governador cumprimentando Lula, em gesto interpretado como tentativa de constrangimento político e reforço da narrativa de que Tarcísio “não é de direita”.
A relação entre os dois já era marcada por atritos e se agravou após a atuação de Eduardo nos Estados Unidos em defesa de sanções internacionais contra o Brasil, episódio que levou Tarcísio a classificar, em conversas reservadas, o ex-deputado como “o maior cabo eleitoral de Lula”.
Com Bolsonaro fora da disputa direta e Flávio consolidado como aposta do clã, a direita entra em 2026 sob forte tensão interna, com disputas de bastidores, pressões públicas e riscos de fogo amigo. O posicionamento de Tarcísio, até aqui focado na gestão paulista, segue como um dos principais pontos de atenção no tabuleiro político nacional.
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