Política / Justiça
Em Maceió, Lula ataca defesa do Banco Master e diz que rombo bilionário não pode recair sobre os pobres
Presidente critica quem apoia Daniel Vorcaro, menciona impacto no sistema financeiro e comenta investigações em curso
23/01/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Durante evento em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas a quem, segundo ele, defende o responsável pelo caso Banco Master. Sem citar nominalmente Daniel Vorcaro, Lula afirmou que há pessoas que o apoiam por “falta de vergonha na cara”.
A declaração ocorreu durante a entrega de cerca de 1,3 mil moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, ocasião em que o presidente comparou a situação da população mais pobre do país com o que chamou de “desfalque” bilionário envolvendo a instituição financeira.
“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú”, afirmou Lula.
“Tem gente que defende, porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara nesse país”, completou.
A fala do presidente está relacionada ao funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos, responsável por ressarcir investidores que adquiriram CDBs do Banco Master. O FGC não utiliza recursos do governo nem de clientes, sendo capitalizado por contribuições das próprias instituições financeiras — incluindo bancos públicos.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a Caixa Econômica Federal responde por cerca de um terço da capitalização do fundo.
As apurações do caso avançaram nesta sexta-feira com operações da Polícia Federal envolvendo o Rioprevidência, o regime próprio de previdência do Rio de Janeiro. O presidente e diretores da autarquia foram alvo de buscas em desdobramento das investigações.
O Rioprevidência informou ter realizado aportes próximos de R$ 1 bilhão em fundos ligados ao conglomerado de Daniel Vorcaro. Para a PF, essas operações expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade, já que o fundo é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores e dependentes.
As investigações começaram em 2024, após o Banco Central do Brasil identificar irregularidades nas operações do Banco Master e comunicar o Ministério Público Federal. A Polícia Federal apurou um esquema de fraude financeira baseado na emissão de títulos de crédito sem lastro, especialmente CDBs com promessa de rendimentos até 40% acima da taxa de mercado — patamar considerado irreal pelos investigadores.
Em 18 de novembro de 2025, a Operação Compliance Zero resultou na prisão de Daniel Vorcaro e de outros executivos. Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para viajar ao exterior, o que reforçou, segundo a PF, a suspeita de tentativa de fuga. Na ocasião, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando suas atividades.
O inquérito do caso tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. As investigações apontam que o esquema pode alcançar outros empresários, personalidades públicas e políticos.
Ao falar pela primeira vez publicamente sobre o caso, Lula reforçou o discurso de que o custo das fraudes não deve recair sobre a população, especialmente a mais vulnerável.
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