Economia / Logística
Arauco recebe primeiras locomotivas e acelera estrutura ferroviária do Projeto Sucuriú em Inocência
Companhia avança na implantação da logística própria da futura fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul, com ligação direta à Malha Norte e escoamento rumo ao Porto de Santos
24/03/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Arauco deu mais um passo na implantação do Projeto Sucuriú, em Inocência (MS), com o recebimento das primeiras locomotivas que irão compor a estrutura logística da futura fábrica de celulose da companhia. Os equipamentos, fabricados pela Wabtec, integrarão a operação da EF-A35, ferrovia própria que está sendo construída para conectar a unidade industrial sul-mato-grossense à Malha Norte, operada pela Rumo, permitindo o transporte da produção até o Porto de Santos (SP).
Ao todo, o sistema contará com 26 locomotivas do modelo ES44, que farão parte de uma operação ferroviária projetada para dar suporte ao escoamento anual de 3,5 milhões de toneladas de celulose. A construção da EF-A35 começou em dezembro de 2025 e representa um marco no setor ao se consolidar como a primeira shortline privada do Brasil após a entrada em vigor do novo marco ferroviário, em 2021.
A ferrovia terá 45 quilômetros de extensão, além de outros 9 quilômetros de trilhos internos dentro da área industrial. A proposta é integrar diretamente a fábrica à malha nacional, fortalecendo um corredor logístico estruturado para transporte em larga escala e com maior previsibilidade operacional. A companhia avalia que esse modelo amplia a competitividade do empreendimento ao reduzir custos e melhorar a eficiência das entregas para o mercado global.
Segundo a empresa, a adoção do modal ferroviário também traz ganhos relevantes em segurança e sustentabilidade. A expectativa é evitar cerca de 190 viagens diárias de caminhões nas rodovias da região e reduzir em até 94% as emissões de CO₂ em comparação ao transporte predominantemente rodoviário.
O diretor de Logística e Suprimentos da Arauco, Alberto Pagano, afirmou que a estrutura própria foi desenhada para superar gargalos de infraestrutura e assegurar mais previsibilidade à operação. De acordo com ele, a nova ferrovia reforça um modelo de integração entre planta industrial e escoamento logístico ainda pouco difundido no país, mas com potencial para influenciar novos investimentos no setor.
O projeto ferroviário foi dimensionado para operar composições de até 9.600 toneladas, apoiadas por uma frota de 26 locomotivas e 721 vagões. A previsão da companhia é iniciar a operação da ferrovia simultaneamente ao começo das atividades da fábrica, previsto para o fim de 2027.
As locomotivas da série Evolution, fabricadas pela Wabtec em Contagem (MG), foram apresentadas como equipamentos de alta capacidade para cargas pesadas. Os motores diesel de alta eficiência podem operar com biocombustíveis e devem reduzir o consumo de combustível em até 6% na comparação com gerações anteriores. Além disso, os equipamentos contam com sistemas digitais voltados ao monitoramento do operador, gerenciamento automático de velocidade, frenagem em situações de risco e acompanhamento contínuo de parâmetros críticos de operação.
O presidente e líder regional da Wabtec LATAM, Danilo Miyasato, destacou que a parceria com a Arauco representa um investimento de longo prazo em infraestrutura e eficiência logística, com foco na redução de emissões e no aprimoramento operacional do transporte ferroviário de carga.
Com investimento de US$ 4,6 bilhões, o Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no mercado brasileiro. A planta, instalada em uma área de 3.500 hectares, a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência, terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose por ano. As obras de terraplanagem começaram em 2024.
A companhia informa ainda que mantém ações contínuas de monitoramento ambiental e respeito à biodiversidade local, com mapeamento de espécies de flora e fauna e identificação de áreas prioritárias para conservação. Durante a fase de obras, a previsão é de geração de mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Após o início da operação, o projeto deverá empregar cerca de 6 mil pessoas nas áreas industrial, florestal e de logística, com expectativa de impacto na renda regional, na arrecadação de impostos e na atração de novos investimentos para Mato Grosso do Sul.
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