Política / Economia
Lula critica proposta de tarifa dos EUA e acusa filhos de Bolsonaro de agir contra o Brasil
Presidente reagiu a relatório norte-americano que questiona o Pix e propõe taxar em 25% parte das importações brasileiras
02/06/2026
12:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta terça-feira, 2 de junho, ao comentar a conclusão da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que propõe a aplicação de tarifa de 25% sobre importações brasileiras.
Durante discurso, Lula criticou a atuação de integrantes da família Bolsonaro no exterior e afirmou que eles teriam incentivado medidas do governo norte-americano contra o Brasil. A declaração ocorre em meio à repercussão do relatório dos EUA, que aponta supostas práticas comerciais “desleais” do país e inclui críticas ao Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.
“No dia que ele taxou, eu vou dizer o que fizeram os meninos do Bolsonaro. Os meninos do Bolsonaro, um deles, o que é candidato a presidente, disse, no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos a Magnitsky’”, declarou Lula.
Na sequência, o presidente afirmou que os filhos de Bolsonaro agiram contra os interesses nacionais.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, meditem”, disse.
A proposta do governo norte-americano faz críticas a diferentes áreas da política econômica e regulatória brasileira. Entre os pontos citados estão comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção.
O relatório do USTR afirma que determinadas práticas do Brasil seriam “irracionais ou discriminatórias” e poderiam restringir ou onerar o comércio dos Estados Unidos. A investigação se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelo governo norte-americano para avaliar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país.
Um dos principais alvos do documento é o Pix. Segundo o relatório, o sistema brasileiro criaria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que atuam no setor de pagamentos digitais. O governo dos EUA argumenta que o Brasil favoreceria o sistema nacional ao garantir maior disponibilidade, visibilidade e limites de tarifas.
Apesar das críticas, o próprio relatório reconhece a rápida adoção do Pix pela população e pelo comércio desde o lançamento, além da redução dos custos de transação e da ampliação da inclusão financeira no país.
Após a divulgação do relatório, aliados do presidente voltaram a usar nas redes sociais o mote “o Pix é do Brasil”. A mobilização passou a associar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a articulações que teriam estimulado ações do governo de Donald Trump contra o Brasil.
Flávio Bolsonaro esteve na Casa Branca na semana passada e se reuniu com Trump. O encontro ocorreu dois dias antes de o governo norte-americano anunciar que pretende classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.
A investigação comercial contra o Brasil foi aberta em 15 de julho de 2025, por determinação de Donald Trump. O prazo legal para definição e eventual implementação das medidas termina em 15 de julho deste ano.
Um grupo de trabalho bilateral foi criado após reunião entre Lula e Trump, realizada na Casa Branca, em 7 de maio. A previsão inicial era que as negociações fossem encerradas até a próxima sexta-feira, 5 de junho, mas, segundo o texto, não houve avanços suficientes.
Antes da divulgação do relatório final, o USTR havia destacado o “engajamento construtivo” do governo brasileiro e indicado expectativa de continuidade das negociações.
Agora, o resultado da investigação será submetido a audiências públicas. A primeira está marcada para 6 de julho. A decisão final sobre a adoção da tarifa de 25% caberá ao presidente dos Estados Unidos.
A proposta norte-americana também apresenta uma lista extensa, com 73 páginas, de produtos brasileiros que ficariam fora da cobrança adicional de 25%.
Entre os itens isentos estão materiais informativos, doações, determinadas carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves brasileiras, peças aeronáuticas, além de produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes.
Mesmo com as exceções, a proposta abriu nova frente de tensão entre os governos brasileiro e norte-americano, especialmente por envolver o Pix, considerado pelo governo Lula uma ferramenta estratégica de inclusão financeira e soberania tecnológica.
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