Palmas (TO), Quinta-feira, 02 de Julho de 2026

Polícia / Justiça

Goleiro Bruno é preso no Rio após dois meses foragido da Justiça

Ex-jogador foi localizado em São Pedro da Aldeia após descumprir regras da liberdade condicional; mandado havia sido expedido em março

08/05/2026

07:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O ex-goleiro Bruno Fernandes foi preso no fim da noite desta quinta-feira (7), em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, após ficar cerca de dois meses foragido da Justiça. A captura ocorreu em uma ação conjunta entre setores de inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro e da Polícia Militar de Minas Gerais.

O mandado de prisão havia sido expedido em 5 de março, depois que a Vara de Execuções Penais entendeu que o ex-jogador do Flamengo descumpriu regras da liberdade condicional. Segundo a investigação, Bruno viajou para o Acre sem autorização judicial para atuar pelo Vasco-AC e não retornou ao regime semiaberto quando determinado pela Justiça.

Ex-goleiro foi encontrado na Região dos Lagos

De acordo com a Polícia Militar, Bruno Fernandes foi localizado no bairro Porto da Aldeia, em São Pedro da Aldeia. Ele não apresentou resistência durante a abordagem e colaborou com os agentes.

Após a prisão, o ex-goleiro foi conduzido inicialmente à 125ª Delegacia de Polícia, em São Pedro da Aldeia, onde o mandado foi cumprido. Em seguida, a ocorrência foi encaminhada para a 127ª DP, em Búzios, responsável pela continuidade dos procedimentos legais.

O comando do 25º BPM, de Cabo Frio, informou que a prisão foi resultado de trabalho integrado entre o setor de inteligência da unidade e o serviço de inteligência da PM de Minas Gerais.

Justiça apontou descumprimento de regras

O mandado de prisão foi expedido após a Justiça considerar que Bruno Fernandes descumpriu condições impostas durante a liberdade condicional.

Entre os pontos citados estão a viagem ao Acre, realizada em 15 de fevereiro, sem autorização judicial, para jogar pelo Vasco-AC. O ex-goleiro estava proibido de deixar o Estado do Rio de Janeiro sem autorização.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também apontou outros descumprimentos, como falta de atualização de endereço por três anos, desrespeito a horários de recolhimento, presença em locais proibidos e viagens sem autorização judicial.

Entre os episódios mencionados pelo MPRJ está a ida a um jogo no Maracanã, em fevereiro, além de uma viagem a um estádio em Minas Gerais.

Defesa alegou ressocialização pelo trabalho

Na época em que a viagem ao Acre foi revelada, a defesa do ex-goleiro alegou que o deslocamento tinha como objetivo a ressocialização por meio do trabalho e que a conduta não deveria ser considerada falta grave.

A ida ao clube acreano foi confirmada também pela regularização do atleta no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. Bruno chegou a disputar uma partida pelo Vasco-AC, mas acabou dispensado posteriormente.

O espaço segue aberto para manifestação atualizada da defesa.

Condenação no caso Eliza Samudio

Bruno Fernandes foi preso em 2010 pelo assassinato da modelo e ex-namorada Eliza Samudio, caso que teve grande repercussão nacional e internacional.

Em 2013, ele foi condenado a 22 anos e um mês de prisão por homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e outros crimes relacionados ao caso. O corpo de Eliza nunca foi encontrado.

A Justiça concluiu que a modelo foi assassinada após cobrar o reconhecimento de paternidade do filho que teve com o então goleiro do Flamengo, Bruninho Samudio, atualmente goleiro das categorias de base do Botafogo.

Progressão de regime e nova prisão

Bruno ficou preso em regime fechado de 2010 a 2019, quando obteve progressão para o regime semiaberto. Em 2023, a Justiça concedeu a liberdade condicional.

Antes disso, em 2017, ele chegou a obter habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas voltou à prisão dois meses depois, após nova decisão da Corte.

A pena do ex-goleiro está prevista para terminar em 8 de janeiro de 2031, conforme processo julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).

Com a nova prisão, a Justiça deverá avaliar as consequências do descumprimento das condições impostas na liberdade condicional.


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