Palmas (TO), Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

Política / Reforma

Lula defende soberania no Itamarati e diz que “galo de fora não canta” no Brasil

Presidente entregou 1.390 títulos de domínio a famílias assentadas e anunciou R$ 20 milhões para estrutura produtiva

25/06/2026

16:30

DA REDAÇÃO

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, usou a agenda desta quinta-feira, 25 de junho de 2026, no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, para defender soberania nacional e reforçar o foco do governo em políticas de inclusão social. Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que o Brasil não aceitará interferência externa.

“A gente não aceita que galo de fora venha cantar no nosso terreno chamado Brasil. Não queremos ser melhor que ninguém, queremos ser iguais”, disse o presidente durante a cerimônia de entrega de 1.390 títulos de domínio a famílias assentadas em Mato Grosso do Sul.

A fala ocorreu em um momento de tensão recente entre Brasil e Estados Unidos. No início de junho, o governo norte-americano propôs tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, sob a justificativa de práticas comerciais consideradas injustas por Washington. A medida foi criticada pelo governo brasileiro como pressão sobre a soberania nacional.

Na semana passada, Trump também chamou Lula de “muito volátil” e afirmou não se importar com o presidente brasileiro, em entrevista ao site Axios, segundo a Folha de S.Paulo. As declarações ampliaram o desgaste diplomático em meio a divergências comerciais entre os dois governos.

No discurso em Ponta Porã, Lula também reforçou sua posição política em relação às camadas mais pobres da população. Segundo ele, o governo federal tem lado e continuará priorizando políticas públicas voltadas à inclusão social.

“As pessoas têm que saber: o Lula tem lado, o Lula sabe de onde veio e sabe para onde vai. Enquanto eu for presidente da República, o povo pobre vai ter a minha preferência no tratamento da política de inclusão social”, afirmou.

Antes da fala sobre soberania, o presidente lembrou que conheceu o Assentamento Itamarati em 2023, durante visita ao local ao lado do ex-governador Zeca do PT, hoje deputado estadual. Segundo Lula, desde aquela visita já era possível perceber a importância da área para a produção, a organização social e a reforma agrária em Mato Grosso do Sul.

O ato desta quinta-feira teve como principal entrega os 1.390 títulos de domínio a famílias assentadas. Segundo o Governo Federal, a titulação definitiva garante segurança jurídica, formaliza o direito à terra, facilita o acesso a políticas públicas e amplia as condições para investimento na produção rural.

Além das famílias do Assentamento Itamarati, também serão contemplados moradores de assentamentos em Ponta Porã, Bataguassu, Bela Vista, Corumbá, Amambai, Aquidauana, Sidrolândia, Itaquiraí, Rio Brilhante, Corguinho e Nova Alvorada do Sul.

O Assentamento Itamarati é considerado uma das maiores experiências de reforma agrária do país. A área tem 50.081 hectares e reúne 2.837 famílias, com produção diversificada de grãos, leite, hortaliças, frutas, pequenos animais e itens agroindustriais.

Durante a cerimônia, o Governo Federal também anunciou investimento de R$ 20 milhões para recuperar a infraestrutura produtiva do assentamento. O projeto será executado em parceria entre o Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, e a UFMS, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Os recursos devem ser usados na recuperação de estruturas de cooperativas, ampliação da capacidade de armazenamento de grãos, melhoria da infraestrutura hídrica, fortalecimento da agroindustrialização, comercialização, capacitação, fiscalização de obras, sustentabilidade e transição energética.

A agenda no Itamarati combinou entrega fundiária, anúncio de investimentos e discurso político. Para as famílias assentadas, os títulos representam mais segurança para produzir, acessar crédito e planejar o futuro. Para o governo, o ato reforça a reforma agrária como instrumento de inclusão social, desenvolvimento rural e presença do Estado em áreas estratégicas da fronteira.


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