Palmas (TO), Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

Justiça / Investigação

PGR rejeita delação de ex-presidente do BRB por falta de informação inédita

Paulo Gonet afirmou que proposta de Paulo Henrique Costa tem baixa utilidade para as investigações da Compliance Zero

25/06/2026

18:00

DA REDAÇÃO

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou a proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, o BRB. A manifestação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na noite de quinta-feira, 25 de junho de 2026.

Segundo Gonet, a proposta não apresentou elementos inéditos capazes de contribuir de forma efetiva para as investigações. O procurador-geral classificou o material como de “reduzida utilidade” e de “débil eficácia potencial”, por entender que os temas indicados não acrescentam informações relevantes ao que já está sendo apurado.

A colaboração premiada, conforme destacou a PGR, precisa trazer dados úteis à investigação, auxiliar na descoberta de provas, esclarecer a participação de envolvidos ou contribuir para a recuperação de valores obtidos de forma irregular. Para Gonet, a proposta de Paulo Henrique Costa não demonstrou esse potencial.

No parecer, o procurador-geral afirmou que os tópicos apresentados, mesmo de forma superficial, já permitem concluir pela ausência de ineditismo na parte mais expressiva da proposta. Ele também apontou que não houve indicação mínima de capacidade de ressarcimento dos valores investigados.

Outro ponto levantado pela PGR foi a falta de elementos que diferenciassem a proposta dos resultados já alcançados pelas autoridades na busca patrimonial. Para Gonet, a colaboração não demonstrou como poderia ampliar a recuperação de recursos ou aprofundar as apurações em andamento.

Com a manifestação da Procuradoria-Geral da República, caberá ao ministro André Mendonça analisar o pedido de homologação da rejeição da proposta. Até o momento, não há indicação de manifestação formal da Polícia Federal, que também teria sido procurada pela defesa durante as tratativas.

Paulo Henrique Costa foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de irregularidades em operações envolvendo o BRB e o Banco Master. O caso está sob acompanhamento do STF.

De acordo com a Polícia Federal, o ex-presidente do BRB teria recebido seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em troca de supostos favorecimentos em negócios entre as instituições financeiras.

A defesa buscava abrir caminho para um acordo de colaboração, mas a avaliação da PGR foi de que a proposta não apresentava vantagem concreta para a investigação. A decisão mantém o caso em andamento pelas vias tradicionais de apuração, com análise de provas, diligências e eventual responsabilização dos investigados conforme o avanço do processo.


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