Saúde / Prevenção
Feridas na boca e rouquidão persistente podem indicar câncer de cabeça e pescoço
Campanha Julho Verde alerta para sintomas que duram semanas; Mato Grosso do Sul pode registrar 230 casos de câncer da cavidade oral em 2026.
22/07/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão prolongada, dor de garganta, dificuldade para engolir e caroços no pescoço precisam ser investigados quando persistem por várias semanas. O alerta ganha destaque durante o Julho Verde, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço.
Esse grupo de tumores pode atingir estruturas como boca, língua, lábios, faringe, laringe, cavidade nasal e glândula tireoide. Embora muitos desses sintomas também apareçam em infecções e inflamações comuns, a duração e a associação entre diferentes sinais devem motivar uma avaliação médica ou odontológica.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), feridas que permanecem por mais de 15 dias, sangramentos sem causa aparente, mudanças na voz, incômodo ao engolir e nódulos na região do pescoço estão entre as alterações que merecem atenção.
O oncologista Amauri de Oliveira, do Hospital do Coração MS, explica que alguns sinais costumam aparecer de maneira mais evidente quando a doença já está avançada.
“Os principais sintomas dos tumores de cabeça e pescoço podem incluir rouquidão, dificuldade de deglutição, dor, feridas na boca e, em alguns casos, alterações de sensibilidade quando há comprometimento de nervos”, afirma.
O médico ressalta, porém, que nenhum desses sintomas deve ser interpretado isoladamente como confirmação de câncer. Rouquidão, dor e irritações na garganta podem estar ligadas a doenças simples. O ponto de alerta é a persistência, especialmente quando o desconforto dura mais de 30 dias.
A descoberta da doença em estágio inicial aumenta as chances de controle e permite tratamentos menos agressivos. Dependendo da localização e do tamanho do tumor, a abordagem pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou a combinação dessas técnicas.
“A principal forma de aumentar a possibilidade de cura é diagnosticar precocemente. Quando a descoberta ocorre mais tarde, cresce a necessidade de tratamentos mais intensos”, explica Amauri de Oliveira.
Além das chances de controle da doença, o diagnóstico antecipado pode preservar funções como fala, mastigação e deglutição, além de reduzir impactos estéticos e emocionais para o paciente.
Um dos desafios é que pessoas expostas a fatores de risco podem se acostumar a alterações frequentes, como rouquidão, irritações na boca ou lesões nos lábios e na língua, retardando a procura por atendimento.
O tabagismo e o consumo frequente de bebidas alcoólicas estão entre os principais fatores associados aos tumores de cabeça e pescoço. A combinação entre cigarro e álcool eleva ainda mais o risco.
A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) também está relacionada ao desenvolvimento de alguns tumores, principalmente na região da orofaringe. Entre os pacientes mais jovens, o vírus tem ganhado relevância como fator de risco.
“Nos pacientes mais velhos, o tabagismo e o alcoolismo ainda aparecem com frequência. Entre os jovens, o HPV passou a ter uma participação importante”, afirma o oncologista.
Outros fatores incluem exposição solar prolongada sem proteção, especialmente no câncer de lábio, alimentação deficiente e baixa ingestão de frutas, verduras, proteínas e vitaminas.
As projeções do INCA para o período entre 2026 e 2028 apontam 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral por ano no Brasil. A estimativa considera 12.260 casos em homens e 4.930 em mulheres.
Em Mato Grosso do Sul, são projetados 230 novos casos de câncer da cavidade oral em 2026, além de 140 casos de câncer de laringe. Os números são estimativas epidemiológicas e não representam o total definitivo de diagnósticos registrados.
A descoberta tardia continua sendo uma das principais preocupações. Levantamento divulgado pelo INCA, com análise de mais de 145 mil casos, indicou que 78,2% dos tumores avaliados foram identificados nos estágios III ou IV, considerados avançados.
A avaliação começa com exame clínico da boca, língua e garganta, além da palpação do pescoço. Conforme os sinais encontrados, o paciente pode ser encaminhado a um cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista ou otorrinolaringologista.
A investigação também pode incluir tomografia, ressonância magnética, nasofibrolaringoscopia e biópsia, exame necessário para confirmar ou descartar a presença de células cancerígenas.
Em Campo Grande, pessoas com sintomas persistentes podem procurar inicialmente uma unidade de saúde, dentista ou médico de confiança. Feridas que não cicatrizam, rouquidão prolongada, dificuldade para engolir e caroços no pescoço não devem ser ignorados.
O Hospital do Coração MS fica na Rua Marechal Rondon, nº 1.703, região central de Campo Grande. Os telefones para informações são (67) 3323-9119 e (67) 3323-9150.
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