Política Internacional
Putin critica tarifas de Trump ao Brasil e diz que sobretaxa tem motivação política
Presidente russo relaciona medidas ao cenário interno brasileiro e a tensões envolvendo Bolsonaro
04/09/2025
06:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (3), durante visita à China, que as tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às exportações brasileiras têm caráter político e refletem problemas internos do Brasil.
Em entrevista coletiva em Pequim, Putin comparou a situação do Brasil à da Índia, também alvo das sobretaxas americanas, mas disse que no caso brasileiro o peso das medidas está ligado a questões domésticas:
“O prazo [para acordos comerciais] foi definido para 8 de agosto, e sanções adicionais foram introduzidas contra o Brasil em 6 de agosto. O que a Ucrânia tem a ver com isso? Há problemas na situação política doméstica, incluindo nas relações entre as autoridades atuais e o ex-presidente Bolsonaro”, declarou.
As tarifas impostas pelos EUA entraram em vigor em 6 de agosto e atingem diversos setores. No entanto, produtos como derivados de petróleo, ferro-gusa, produtos de aviação civil (incluindo a Embraer) e suco de laranja foram isentados, representando cerca de 43% das exportações brasileiras.
Trump justificou as sobretaxas dizendo que o Brasil promove uma “caça às bruxas contra Jair Bolsonaro”, citando as investigações do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a trama golpista de 2022. Nesta semana, a Primeira Turma da Corte iniciou o julgamento que pode levar à condenação do ex-presidente e de generais envolvidos.
Putin destacou que desequilíbrios comerciais devem ser resolvidos por meio do diálogo:
“É impossível falar com tantos parceiros nesse tom hoje. Parece-me que, no final, tudo voltará ao mesmo lugar e voltaremos a um diálogo econômico normal.”
Além de criticar as tarifas contra o Brasil, Putin comentou sobre a guerra na Ucrânia. Ele afirmou que há chance de encerrar o conflito por meio de negociações “se o bom senso prevalecer”, mas disse estar preparado para resolver a questão pela força caso seja necessário. O líder russo se mostrou disposto a conversar com Volodimir Zelenski, desde que em Moscou e com resultados concretos, proposta rejeitada pela chancelaria ucraniana.
Ao fim de sua visita à China, Putin disse enxergar “uma luz no fim do túnel” diante dos esforços dos Estados Unidos para tentar negociar o fim do conflito.
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