Palmas (TO), Domingo, 15 de Fevereiro de 2026

Política / Justiça

Relatório da PF aponta repasses de R$ 35 milhões ligados a resort que teve Toffoli como sócio

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicam cobranças por aportes no empreendimento Tayayá; ministro nega ter recebido valores

15/02/2026

08:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, indicam que o banqueiro determinou repasses que somam R$ 35 milhões ao resort Tayayá, empreendimento localizado em Rio Claro (PR) que teve como sócio o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, por meio da empresa familiar Maridt Participações S.A.. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com os diálogos analisados pela PF, Vorcaro teria se queixado de cobranças relacionadas ao aporte no fundo ligado ao resort. Em troca de mensagens com o cunhado, o pastor Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro do empresário, o banqueiro questionou a situação dos repasses.

Em uma das conversas, de maio de 2024, Vorcaro escreveu: “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”. Zettel respondeu que aguardava confirmação para efetivar o pagamento. Posteriormente, apresentou uma lista com valores a serem quitados, incluindo um item identificado como “Tayaya – 15”, interpretado pela PF como transferência de R$ 15 milhões. A resposta de Vorcaro foi direta: “Paga tudo hoje”.

Em agosto de 2024, o empresário voltou a cobrar esclarecimentos sobre o aporte. Segundo os registros, ele teria demonstrado insatisfação com o andamento da operação e solicitado levantamento detalhado dos valores já transferidos. Zettel respondeu que haviam sido pagos R$ 20 milhões anteriormente e, posteriormente, mais R$ 15 milhões, totalizando os R$ 35 milhões mencionados nas investigações.

Posição das partes

Procurado, Daniel Vorcaro não comentou o conteúdo das mensagens até a publicação da reportagem.

Já o ministro Dias Toffoli, por meio da assessoria do STF, informou que o negócio envolvendo o resort ocorreu antes de assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master. O ministro afirmou que não conhecia o gestor do fundo que adquiriu sua participação e que não recebeu recursos de Vorcaro ou de Fabiano Zettel.

Em nota, Toffoli declarou ainda que todas as transações foram declaradas à Receita Federal e realizadas dentro do valor de mercado.

Estrutura societária do empreendimento

O resort Tayayá integrou uma sociedade que teve início em setembro de 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa constituída por Dias Toffoli e seus irmãos José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, vendeu metade de sua participação ao fundo de investimentos Arleen, por pouco mais de R$ 3 milhões.

Segundo as apurações divulgadas pela imprensa, o fundo Arleen integra uma cadeia de investimentos vinculada à estrutura financeira atribuída a Vorcaro e seus sócios. O controlador do fundo, conforme reportado, seria Fabiano Zettel.

A Maridt deixou definitivamente a sociedade nas empresas do grupo Tayayá em fevereiro de 2025, quando a participação remanescente foi adquirida pelo empresário Paulo Humberto Barbosa.

Contexto institucional

O resort foi citado como um dos elementos que motivaram discussões internas no STF sobre a relatoria de processos envolvendo o Banco Master. O caso segue sob análise das autoridades competentes.

As investigações buscam esclarecer a natureza dos repasses, a estrutura societária envolvida e eventual relação entre os aportes financeiros e os desdobramentos judiciais em curso.


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