Política Internacional
Trump diz que EUA “perderam Rússia e Índia para a sombria China” após desfile militar em Pequim
Evento exibiu arsenal nuclear e reuniu Putin, Modi e Kim Jong-un, reforçando recado geopolítico de Xi Jinping contra o Ocidente
05/09/2025
08:00
DA REDAÇÃO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (5) que os EUA “perderam a Rússia e a Índia para a China mais profunda e sombria”. A declaração, publicada em sua rede social Truth Social, foi uma resposta ao desfile militar histórico realizado em Pequim, que contou com a presença de Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Kim Jong-un (Coreia do Norte), além de mais de 20 chefes de Estado.
“Parece que perdemos a Índia e a Rússia para a China mais profunda e sombria. Que tenham um longo e próspero futuro juntos”, escreveu Trump.
Na quarta-feira (3), a China promoveu o maior desfile militar de sua história, marcando os 80 anos da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial. A parada incluiu a exibição de novos mísseis nucleares intercontinentais (DF-5C e DF-61), armas hipersônicas atualizadas, drones de guerra e tanques modernos.
Pela primeira vez, Pequim exibiu sua tríade nuclear completa — sistemas de lançamento por terra, mar e ar — consolidando sua capacidade de dissuasão estratégica global.
Ao lado de Putin e Kim, o presidente Xi Jinping afirmou que o mundo enfrenta “a escolha entre paz ou guerra”. Em discurso para mais de 50 mil pessoas na Praça da Paz Celestial, Xi destacou que o povo chinês “permanece do lado certo da história” e defendeu uma nova ordem mundial contra a “hegemonia e a política de poder”, numa crítica velada aos EUA.
Nos EUA, Trump acusou Xi, Putin e Kim de conspirarem contra Washington, mas disse manter “boa relação” com o líder chinês. Já o presidente russo ironizou a fala:
“Ele tem senso de humor”, disse Putin ao ser questionado sobre as acusações de Trump.
Na Europa, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou a parada como um “desafio direto à ordem internacional” e reforçou que a guerra da Rússia na Ucrânia “conta com o apoio da China”.
Entre os representantes internacionais, participaram o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, e a ex-presidente Dilma Rousseff, atual diretora do Banco dos Brics.
Segundo analistas militares, o desfile reforçou a intenção da China de consolidar influência no Leste Asiático e enviar uma mensagem de que Pequim se posiciona como “garantidora da paz” em meio às dúvidas sobre o papel global dos EUA.
“A combinação de drones marítimos e mísseis cria uma área em que marinhas estrangeiras não poderão sequer intervir”, analisou o professor James Char, especialista em Defesa da China na Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, em Singapura.

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