Artigo
Na reta final do ano, desacelere
30/11/2025
07:30
WILSON AQUINO
WILSON AQUINO*
À medida que dezembro se aproxima, traz consigo não apenas o brilho das luzes natalinas, mas também a sombra de uma agitação generalizada. Em meio a calendários apertados e expectativas elevadas, muitas vezes esquecemos que o verdadeiro espírito do final de ano é a paz e a reflexão.
Dados mostram que, justamente em dezembro, o aumento de stress e impaciência tem impactos tangíveis: estudos indicam que os acidentes de trânsito e os conflitos interpessoais crescem significativamente. Afinal, a pressa e a tensão formam uma combinação perigosa.
A reflexão sobre o valor de pausar, respirar e encontrar um ritmo mais humano para encerrar o ano é fundamental. Em vez de ceder à pressão das demandas externas, podemos escolher priorizar a tranquilidade e o bem-estar. Assim, a desaceleração torna-se um ato consciente de autocuidado e de respeito aos outros.
Vamos trazer um exemplo simples: imagine um motorista que, em vez de buzinar e se irritar com o trânsito lento, decide colocar uma música suave, ajustar seu ritmo e usar o tempo no trânsito para refletir ou até agradecer pelas pequenas coisas recebidas. Essa mudança de atitude pode não só evitar acidentes, mas também transformar a experiência do final de ano — e do ano todo — em algo mais leve e significativo.
Além disso, é válido enfatizar a importância do autocuidado e do cuidado com os outros. Ao desacelerar, abrimos espaço para momentos de qualidade com a família, fortalecemos nossos laços e lembramos que o final de ano é, antes de tudo, um momento de gratidão e renovação.
Por fim, podemos reforçar que a oração, a meditação ou simplesmente um momento de silêncio diário são ferramentas poderosas. Elas nos ajudam a encontrar serenidade e a redescobrir o verdadeiro significado da vida e especialmente dessa época: celebrar a vida com paz e harmonia.
E, nesse contexto, encontramos grande sabedoria nas palavras de autoridades de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que têm ensinado repetidamente sobre a importância de desacelerar, priorizar o essencial e ouvir o Senhor. O presidente Dallin H. Oaks nos lembra que muitas das decisões mais importantes da vida não estão entre o certo e o errado, mas entre o que é importante e o que é essencial. Ele ensinou: “Desviai-vos das coisas que não importam e buscai as que mais importam.” No final do ano, quando somos puxados por todos os lados, sua mensagem é um convite amoroso para fazermos escolhas mais conscientes, dando espaço ao que realmente edifica a alma.
Russell M. Nelson, que faleceu recentemente aos 101 anos, reforçava esse entendimento dizendo que “nada é mais urgente do que aprender a ouvir o Senhor.” Ele ensinava que o Espírito fala em “sussurros suaves”, e tais sussurros só podem ser percebidos quando desaceleramos. A correria de dezembro, se não for domada, pode nos afastar daquilo que Deus quer nos comunicar — e do que realmente precisamos sentir.
O élder Dieter F. Uchtdorf lembra que a simplicidade é um princípio celestial: “Apressar-se é inimigo da paz.” Ele aconselha que deixemos ir o que não é essencial para que o coração possa encontrar descanso. Em uma época marcada por pressões, compras e expectativas, sua mensagem é quase um bálsamo: viver com mais leveza é uma forma de honrar o Salvador.
É nos pequenos e simples momentos — aqueles que muitas vezes ignoramos — que o élder David A. Bednar diz que o Espírito se manifesta com mais frequência. Ao desacelerarmos, conseguimos enxergar beleza e propósito nas migalhas de luz que o Senhor coloca ao longo do nosso dia: um abraço, uma conversa, um minuto de gratidão, um pensamento inspirado.
Algo que combina perfeitamente com dezembro, segundo a irmã Michelle D. Craig: “Quando diminuímos a velocidade suficiente, começamos a ver as pessoas como o Salvador as vê.” O final do ano deveria ser um tempo para olhar ao redor com mais compaixão, perceber quem precisa de um gesto de bondade e fortalecer os laços familiares e espirituais.
O falecido presidente M. Russell Ballard também ofereceu uma lição poderosíssima: “O Senhor não espera que façamos tudo, mas que façamos o nosso melhor — e isso inclui descansar.” Para ele, descansar é parte do Plano Divino. Encerrar o ano de forma saudável não é sinal de fraqueza, mas de sabedoria espiritual.
Em um mundo que constantemente nos impulsiona a fazer mais, é revolucionário lembrar que fazer menos — e fazer com mais atenção — pode ser a chave para um final de ano verdadeiramente feliz. Ao reduzir o ritmo, criamos espaço para apreciar as pequenas alegrias que muitas vezes passam despercebidas na correria.
Assim, ao final de cada dia de dezembro, em vez de contabilizar tarefas, podemos contabilizar momentos de tranquilidade e conexão. Podemos perceber que o verdadeiro significado das festas não está nas corridas de última hora, mas na capacidade de encontrar serenidade em meio ao tumulto.
Ao adotar essa postura, não apenas encerramos o ano de maneira mais suave, mas também preparamos nossos corações para um novo ciclo com mais equilíbrio e esperança. Afinal, desacelerar é um presente que damos a nós mesmos e aos que amamos.
*Jornalista e professor.
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