Economia / Comércio Exterior
Soraya vê “janela de oportunidade” para MS após nova tarifa global de 15% anunciada por Trump
Senadora alerta para riscos regulatórios, enquanto Geraldo Alckmin avalia medida como positiva para competitividade brasileira
23/02/2026
12:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A senadora por Mato Grosso do Sul, Soraya Thronicke (Podemos), afirmou que a nova tarifa global de 15% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode representar uma oportunidade estratégica de curto prazo para o Brasil, especialmente para estados exportadores como Mato Grosso do Sul. A medida foi anunciada no último sábado (21), após decisão da Suprema Corte norte-americana que limitou o uso de tarifas amplas com base em legislação de emergência.
Segundo a parlamentar, embora a decisão judicial tenha restringido a aplicação indiscriminada de sobretaxas, o cenário ainda exige cautela.
“A decisão da Suprema Corte representa um marco ao limitar o uso discricionário de tarifas, mas não altera a orientação protecionista da política comercial americana. Para o Brasil — e, em especial, para o Mato Grosso do Sul, relevante exportador de alimentos aos EUA —, abre-se uma janela de oportunidade no curto prazo, com redução de barreiras, mas permanecem riscos significativos diante da instabilidade regulatória”, declarou.
A Suprema Corte dos EUA entendeu que o presidente não poderia utilizar lei de emergência para aplicar tarifas amplas contra praticamente todos os países. Com isso, foram anuladas as chamadas tarifas “recíprocas”, que começaram em 10% em abril de 2025 e chegaram a percentuais mais elevados para alguns países, incluindo uma sobretaxa adicional de 40% sobre determinados produtos brasileiros.
Na sequência da decisão, a Casa Branca anunciou uma tarifa global inicial de 10%, posteriormente elevada para 15%, dentro dos limites previstos pela legislação comercial norte-americana de 1974.
Mato Grosso do Sul figura entre os principais exportadores brasileiros de alimentos, com forte participação no comércio internacional de carnes, grãos e produtos agroindustriais. A uniformização da alíquota pode reduzir distorções competitivas frente a outros países exportadores.
Ainda assim, Soraya destacou a necessidade de monitoramento constante do cenário internacional.
“É fundamental acompanhar essa movimentação para garantir maior estabilidade aos produtores, sobretudo em um momento de incerteza global. Isso exige atuação coordenada do governo brasileiro para ampliar previsibilidade tributária e reduzir exposição do setor exportador às oscilações externas”, pontuou.
O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin (PSB), classificou a medida como positiva para o Brasil. Em declaração feita no domingo (22), em Aparecida (SP), ele afirmou que a tarifa uniforme evita perda de competitividade.
“Foi positiva porque estabeleceu alíquota igual para todos. Inicialmente era 10% e passou para 15%, mas como é aplicada de forma global, o Brasil não perde competitividade”, afirmou.
Alckmin também destacou que a tarifa média aplicada pelo Brasil a produtos norte-americanos é de aproximadamente 2,7%, e que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil tanto na balança de bens quanto na de serviços.
Especialistas avaliam que, apesar da uniformização da tarifa, o ambiente comercial internacional segue marcado por instabilidade política e decisões unilaterais. Para estados exportadores como Mato Grosso do Sul, o desafio será equilibrar ganhos momentâneos com estratégias de longo prazo voltadas à diversificação de mercados e segurança regulatória.
O desdobramento da política tarifária norte-americana continuará sendo acompanhado pelo setor produtivo e pelas autoridades brasileiras nas próximas semanas.
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