Economia / Política Internacional
Nelsinho Trad alerta para impacto de tarifa de Trump e defende diálogo para proteger exportações brasileiras
Senador de MS diz que comércio com o Irã é estratégico para o agronegócio e pede atuação responsável do Brasil
13/01/2026
08:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) avaliou nesta terça-feira (13) que o Brasil precisa agir com responsabilidade e pragmatismo diante da ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impõe uma tarifa de 25% a países que mantiverem negócios comerciais com o Irã.
Embora a publicação oficial da medida ainda seja aguardada, o anúncio já provoca alerta no setor exportador brasileiro, sobretudo no agronegócio, já que o Irã é um dos principais destinos dos grãos brasileiros.
Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Irã somou quase US$ 3 bilhões, concentrado principalmente em milho e soja, que responderam por 87,2% das exportações brasileiras para o país do Oriente Médio.
Milho: 67,9% do total — mais de US$ 1,9 bilhão
Soja: 19,3% — cerca de US$ 563 milhões

Para Nelsinho Trad, qualquer interrupção nesse fluxo tem impacto direto no campo, nos preços e no emprego.
“O Irã é hoje um destino relevante das exportações do agronegócio brasileiro, especialmente de grãos. Qualquer instabilidade nesse fluxo afeta diretamente o produtor, os preços e o emprego. E já há sinais de travas financeiras e operacionais, que estão atingindo principalmente as exportações de milho”, afirmou.
Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e responsável pela Comissão Temporária Brasil–Estados Unidos, criada em 2025, Nelsinho defendeu que o governo brasileiro evite o confronto político e priorize a diplomacia econômica.
“O Brasil tem que agir com responsabilidade: proteger os exportadores brasileiros e manter canais institucionais de diálogo com os Estados Unidos, sem politizar indevidamente uma discussão que tem impacto direto na economia.”
Ele afirmou que o Senado deve atuar ativamente para preservar os interesses do setor produtivo:
“Vou trabalhar para usar os canais que já existem, reforçar a interlocução entre os Legislativos e buscar previsibilidade para quem produz e exporta no Brasil.”
O senador relembrou a atuação da Comissão Temporária Brasil–EUA, que no ano passado atuou em Washington para mitigar impactos de tarifas impostas pelos Estados Unidos.
“Fomos a Washington, conversamos com democratas e republicanos, construímos pontes e ajudamos a pavimentar o caminho para o recuo parcial das medidas. Produtos estratégicos para o Brasil, como celulose e carne, ficaram fora da tarifa de 50%.”
Segundo ele, o mesmo modelo de diplomacia parlamentar e articulação internacional deve ser usado agora para evitar prejuízos ao agronegócio brasileiro.
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