Palmas (TO), Quarta-feira, 22 de Julho de 2026

Saúde / Prevenção

Cálculo renal aumenta no inverno com menor consumo de água e excesso de sal

Urina mais concentrada, alimentação rica em sódio e redução das atividades físicas favorecem a formação de pedras nos rins nos meses frios

22/07/2026

10:15

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

Os casos de cálculo renal podem aumentar durante o inverno, principalmente porque as pessoas sentem menos sede e reduzem o consumo de água. A combinação entre menor hidratação, mudanças na alimentação e alterações na rotina favorece a concentração da urina e a formação das chamadas pedras nos rins.

Segundo o urologista Dr. Nelson Batezini, a baixa ingestão de líquidos é um dos principais fatores de risco nesta época do ano.

“No inverno, as pessoas costumam sentir menos sede e, consequentemente, ingerem menos água. Isso faz com que a urina fique mais concentrada, favorecendo a cristalização de substâncias presentes nela e aumentando o risco de formação dos cálculos renais”, explica.

Os rins são responsáveis por filtrar o sangue e eliminar resíduos, sais minerais e outras substâncias por meio da urina. Quando o organismo recebe pouca água, esses componentes ficam mais concentrados e podem formar pequenos cristais. Com o tempo, eles se agrupam e dão origem aos cálculos.

Dor pode surgir de forma repentina

As pedras podem permanecer nos rins sem provocar sintomas por determinado período. O quadro costuma se tornar mais intenso quando o cálculo se desloca pelo sistema urinário e bloqueia parcial ou totalmente a passagem da urina.

A cólica renal geralmente provoca uma dor forte na região lombar, que pode se espalhar para o abdômen, a virilha e os órgãos genitais.

“A cólica renal geralmente se manifesta com uma dor forte na região lombar, podendo irradiar para o abdômen, virilha e órgãos genitais. Muitas vezes, o paciente relata uma dor incapacitante, que exige atendimento médico imediato”, afirma Dr. Nelson Batezini.

Outros sintomas possíveis são sangue na urina, ardência ao urinar, aumento da frequência urinária, náuseas e vômitos.

A presença de febre exige atenção especial, pois pode indicar uma infecção urinária associada à obstrução provocada pelo cálculo. Nessa situação, a orientação é buscar atendimento médico com urgência.

Alimentação do inverno também influencia

A redução do consumo de água não é o único fator que contribui para o aumento dos casos. Durante os meses frios, muitas pessoas ingerem mais alimentos industrializados, embutidos, sopas prontas e refeições com alto teor de sódio.

O excesso de sal favorece a eliminação de cálcio pela urina, substância presente em alguns dos tipos mais comuns de cálculo renal.

“O excesso de sal aumenta a eliminação de cálcio pela urina, um dos principais componentes de determinados tipos de cálculo renal. Além disso, dietas desequilibradas e o consumo insuficiente de frutas e verduras também podem contribuir para o problema”, explica o urologista.

A redução das atividades físicas durante o inverno também pode afetar o funcionamento do organismo e favorecer o ganho de peso, condição associada ao aumento do risco de formação de pedras.

Histórico familiar eleva o risco

A predisposição genética também deve ser considerada. Pessoas com familiares que já tiveram cálculo renal apresentam maior probabilidade de desenvolver o problema.

Quem já enfrentou um episódio precisa manter acompanhamento e reforçar as medidas de prevenção, pois existe risco significativo de recorrência.

Após a eliminação ou retirada da pedra, o médico pode solicitar exames para identificar a composição do cálculo e investigar possíveis alterações metabólicas. Essa avaliação ajuda a definir mudanças específicas na alimentação e, quando necessário, o uso de medicamentos.

Hidratação é a principal forma de prevenção

Manter o consumo regular de água ao longo do dia é a medida mais importante para reduzir o risco de cálculo renal, inclusive durante o inverno.

A recomendação é não esperar a sede aparecer. A sede já pode representar um sinal de que o organismo necessita de reposição de líquidos.

“O ideal é não esperar a sede aparecer para beber água. Quando a sede surge, o organismo já está dando sinais de que precisa de reposição hídrica. Observar a cor da urina também ajuda: quanto mais clara ela estiver, melhor tende a ser o estado de hidratação”, orienta Dr. Nelson Batezini.

A quantidade adequada de água varia conforme o peso, a idade, a prática de atividade física, as condições de saúde e a temperatura do ambiente. Pessoas com doenças renais, cardíacas ou outras restrições devem seguir a orientação do médico responsável.

Como reduzir o risco no inverno

Para prevenir a formação de cálculos renais, o especialista recomenda beber água em intervalos regulares, mesmo sem sede, e evitar o consumo excessivo de sal, embutidos e alimentos ultraprocessados.

Também é importante manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras e legumes, além de praticar atividades físicas regularmente.

Pessoas que já tiveram pedras nos rins devem realizar acompanhamento médico e investigar os fatores que contribuíram para o problema. Mudanças simples na hidratação e na alimentação podem reduzir de forma significativa a possibilidade de novos episódios.


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