Política / Justiça
Vorcaro é levado para Superintendência da PF em Brasília em meio a tratativas para possível delação
Transferência foi autorizada por André Mendonça a pedido da defesa e aproxima o empresário das equipes responsáveis pela investigação da Operação Compliance Zero
19/03/2026
21:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi transferido na noite desta quinta-feira, 19 de março de 2026, para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, em um movimento que passou a integrar as tratativas em torno de um possível acordo de colaboração premiada. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido apresentado pela defesa.
A transferência marca um novo capítulo na investigação conduzida pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes financeiros, pagamentos indevidos a agentes públicos e a existência de uma estrutura paralela de monitoramento descrita por investigadores como uma espécie de “milícia privada”. Vorcaro está preso desde o início de março e, até então, permanecia custodiado na Penitenciária Federal de Brasília.
Segundo as informações divulgadas nesta noite, o deslocamento foi feito de helicóptero. Vorcaro deixou a unidade prisional por volta das 18h50 e chegou à sede da PF às 19h05, já sob a nova condição de custódia. A movimentação ocorreu após a autorização judicial do relator do caso no STF.
Nos bastidores, a ida para a Superintendência da Polícia Federal é tratada como estratégica porque coloca o empresário mais próximo das equipes responsáveis pelo inquérito. Na prática, isso tende a facilitar a realização de depoimentos, a formalização de conversas com investigadores e o avanço das negociações em torno de uma eventual colaboração.
O ambiente de negociação ganhou novo peso ainda nesta quinta-feira, quando veio à tona a informação de que Daniel Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. O documento é apontado como uma etapa preliminar que abre caminho para o tratamento formal de uma possível delação premiada. Entre os pontos discutidos nas tratativas estava justamente a mudança do local de custódia.
Antes da transferência, o empresário estava submetido ao protocolo inicial aplicado a presos recém-ingressos no sistema penitenciário federal, com isolamento e forte restrição de contatos. A defesa passou a sustentar que a colaboração poderia avançar de maneira mais efetiva com a remoção para a estrutura da PF, o que foi acolhido pelo ministro relator.
A mudança ocorre em um momento de forte expectativa política e institucional em torno do conteúdo que Vorcaro eventualmente poderá apresentar às autoridades. Nas últimas horas, o presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, afirmou publicamente que uma colaboração só teria utilidade se fosse completa e acompanhada de elementos consistentes de prova.
Com a transferência autorizada e o termo de confidencialidade já firmado, o caso entra em uma fase mais sensível, na qual a eventual delação de Daniel Vorcaro deixa de ser apenas uma hipótese especulativa e passa a ser tratada como possibilidade concreta no centro das investigações.
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