Política / Nacional
Mercadante critica proposta de Flávio Bolsonaro para incluir EUA em transição de governo
Presidente do BNDES afirmou que acesso estrangeiro a dados sobre terras raras, defesa e Margem Equatorial representaria risco à soberania nacional
03/07/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente do BNDES, Aluizio Mercadante, classificou como “inaceitável” a proposta atribuída ao pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de permitir a participação dos Estados Unidos em um eventual governo de transição, caso ele vencesse as eleições.
A declaração foi dada após Mercadante participar do lançamento de projetos de recuperação da Mata Atlântica, na Firjan, Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Segundo ele, a presença de representantes estrangeiros em uma transição poderia abrir acesso a informações consideradas estratégicas para o país.
“Acesso dos EUA a dados de terras raras e da Margem Equatorial é risco soberano. Falo como quem fez parte do grupo de transição, são informações estratégicas”, afirmou Mercadante.
O presidente do BNDES lembrou que participou da equipe de transição do governo Jair Bolsonaro para o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse período, segundo ele, integrantes do grupo tiveram acesso a informações sensíveis sobre áreas como energia, defesa nacional e planejamento estratégico.
Mercadante citou como exemplo uma visita ao Cenpes, centro de pesquisa da Petrobras, antes da licença para exploração da Margem Equatorial. De acordo com ele, o local concentra dados sobre o subsolo, potencial de exploração, áreas semelhantes ao pré-sal e regiões com reservas identificadas.
“Lá você vê o subsolo, toda a área semelhante ao pré-sal, o potencial, onde já tinham reservas na região, são informações estratégicas e que nunca vazaram”, disse.
Ele também afirmou que a equipe de transição teve acesso a informações do Ministério da Defesa, incluindo necessidades, prioridades e planejamento de investimentos. Para Mercadante, esse tipo de dado não poderia ser compartilhado com representantes de outro país.
No caso do BNDES, o presidente destacou informações relacionadas a terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para a indústria, tecnologia, energia e defesa. Segundo ele, permitir que uma potência estrangeira acompanhe esse tipo de informação seria entregar vantagens sensíveis.
“Isso aqui é o mapa da mina dos minerais críticos e minerais estratégicos do País. Como você pode oferecer para uma nação estrangeira que ela participe da transição e tenha acesso a essas informações?”, questionou.
A crítica de Mercadante faz referência a uma carta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, direcionada a Flávio Bolsonaro, que teria revelado o convite para participação norte-americana em uma eventual transição de governo.
Ao comentar a possibilidade, o presidente do BNDES afirmou que o cenário dependeria de uma vitória eleitoral de Flávio, hipótese que ele descartou.
“Mas isso só aconteceria se ele vencesse a eleição, e isso não vai acontecer”, concluiu Mercadante.
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