Saúde / Prevenção
Julho Amarelo reforça importância do diagnóstico precoce das hepatites virais
Infecções podem avançar sem sintomas e causar cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado quando descobertas tardiamente
08/07/2026
14:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A campanha Julho Amarelo chama atenção para a prevenção, a testagem e o tratamento das hepatites virais, doenças que atingem o fígado e podem permanecer sem sintomas durante anos. O principal risco está justamente na evolução silenciosa, que pode levar o paciente a descobrir a infecção somente quando já existem complicações graves.
Entre os possíveis desdobramentos estão cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. Por isso, profissionais de saúde reforçam que a realização de exames é essencial, especialmente para pessoas que nunca fizeram a testagem ou que passaram por situações de risco.
Segundo o médico infectologista e professor da Universidade Christus, Luan Victor, a ausência de sintomas dificulta a identificação das hepatites em estágios iniciais. Ele explica que, sem a testagem, muitos pacientes recebem o diagnóstico quando o fígado já apresenta algum comprometimento.
As hepatites virais são provocadas por diferentes vírus e podem causar sinais como cansaço intenso, febre, náuseas, vômitos, falta de apetite, dor abdominal, urina escura, fezes claras e coloração amarelada na pele ou nos olhos, quadro conhecido como icterícia.
Apesar disso, as hepatites B e C frequentemente não provocam manifestações perceptíveis durante longos períodos. Essas duas formas podem se tornar crônicas e exigem acompanhamento médico para evitar o avanço das lesões no fígado.
A hepatite A está associada principalmente ao consumo de água ou alimentos contaminados e a condições inadequadas de higiene e saneamento.
Já as hepatites B e C podem ser transmitidas pelo contato com sangue e outros fluidos corporais. Entre as situações de risco estão relações sexuais sem preservativo e o compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas ou materiais perfurocortantes sem esterilização adequada.
A prevenção também inclui cuidados em procedimentos como tatuagens, colocação de piercings, manicure e atendimento odontológico, que devem utilizar instrumentos devidamente esterilizados ou descartáveis.
O Sistema Único de Saúde, SUS, oferece gratuitamente vacinas contra as hepatites A e B. A imunização é considerada uma das principais formas de reduzir a circulação dessas infecções e evitar casos graves.
Para a hepatite C, ainda não existe vacina, mas o tratamento disponível tem alta eficácia e pode levar à cura na maioria dos pacientes. No caso da hepatite B, a infecção não tem cura definitiva, porém pode ser controlada com medicamentos, reduzindo o risco de cirrose, falência do fígado e câncer.
De acordo com Luan Victor, quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de iniciar o acompanhamento antes que ocorram danos importantes ao organismo.
A orientação é procurar uma unidade de saúde para verificar a situação vacinal e buscar informações sobre os testes disponíveis. O diagnóstico precoce permite interromper a transmissão, iniciar o tratamento adequado e evitar complicações que podem comprometer de forma permanente a saúde do fígado.
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