Palmas (TO), Quinta-feira, 09 de Julho de 2026

Política / Partidos

Valdemar admite extinguir comando nacional do PL Mulher após saída de Michelle

Presidente do partido descartou escolher uma substituta e causou reação ao usar comentário sobre mulheres para justificar a decisão

09/07/2026

12:00

DA REDAÇÃO

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O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira, 8 de julho, que o partido não pretende indicar outra dirigente para ocupar o comando nacional do PL Mulher após a saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Entre as possibilidades analisadas está a extinção do cargo, com a manutenção apenas das direções estaduais do núcleo feminino.

Valdemar disse que o partido possui mulheres com condições políticas para exercer a função, mas avaliou que nenhuma delas reúne o mesmo alcance de Michelle. Segundo ele, a ex-primeira-dama se destacava pela capacidade de comunicação, dedicação e projeção pública conquistada desde que assumiu o posto, em março de 2023.

“Sem querer desmerecer as mulheres do nosso partido, aliás, são muito melhores do que os homens, nós não temos ninguém à altura da Michelle. A Michelle tem um poder muito grande de comunicação, fala bem, tem imagem boa e é dedicada”, declarou o dirigente após participar de um almoço promovido pela Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo.

Ao ser questionado sobre nomes como as deputadas federais Bia Kicis, Caroline de Toni e Júlia Zanatta, Valdemar afirmou que existem alternativas, mas fez uma declaração generalizante sobre mulheres. “Nomes nós temos, mas você já imaginou? Se a gente colocar uma, você sabe como é mulher, né?”, respondeu.

O presidente do PL informou que pretende preservar os comandos estaduais do PL Mulher, com autonomia para organizar as atividades regionais, mesmo que a direção nacional seja encerrada. Ele também deixou aberta a possibilidade de rever a estrutura caso Michelle decida retornar.

“Se a Michelle repensar, eu faço o que ela quiser”, afirmou.

Michelle anunciou em 30 de junho que deixaria a presidência do núcleo feminino para se dedicar aos cuidados com a filha e com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em sua manifestação, declarou que a decisão foi tomada após conversas familiares e uma avaliação sobre o momento vivido pelo casal.

A saída ocorreu depois de um desentendimento público entre Michelle e o enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Em vídeos publicados nas redes sociais, ela relatou ter sido tratada de forma desrespeitosa durante discussões sobre as articulações eleitorais do PL no Ceará.

Michelle afirmou que Flávio foi ríspido durante uma conversa telefônica e teria dito que ela deveria permanecer fora das decisões da legenda por possuir pouca experiência política. O episódio expôs divergências internas envolvendo os rumos eleitorais do partido.

O afastamento do PL Mulher também abriu dúvidas sobre a possível candidatura de Michelle ao Senado. Segundo Valdemar, ela teria dito, durante a conversa em que comunicou a saída, que talvez desistisse da disputa eleitoral.

Dirigentes da legenda, no entanto, ainda consideram provável que a ex-primeira-dama mantenha o projeto. Caso ela não concorra, integrantes do partido avaliam que parte de seu eleitorado poderá ser direcionada a outra candidatura do PL.

Entre os nomes considerados está o da deputada Bia Kicis, que pretende manter sua pré-candidatura ao Senado. A parlamentar afirmou que a estratégia inicial previa uma campanha conjunta com Michelle, mas que seguirá na disputa mesmo que a ex-primeira-dama abandone o projeto eleitoral.


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