Política / Eleições
PL redesenha campanha de Flávio após restrição imposta por Moraes
Proibição de contato com Jair Bolsonaro altera a rotina política do senador em meio à preparação da convenção nacional do partido
14/07/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) obrigou integrantes do partido a rever a organização da pré-campanha presidencial. A medida foi adotada às vésperas da convenção que deverá oficializar o nome do parlamentar na disputa pelo Palácio do Planalto.
Dentro do PL, aliados reconhecem que o afastamento interfere no processo de definição das estratégias eleitorais. Mesmo em prisão domiciliar, Jair Bolsonaro continuava sendo consultado pelo filho sobre alianças regionais, montagem de palanques e decisões relacionadas à campanha.
A convenção nacional do partido está prevista para o dia 25 de julho, em São Paulo. Até lá, a direção partidária pretende concluir as negociações estaduais e consolidar a estrutura que acompanhará Flávio Bolsonaro durante a disputa. A defesa do senador deverá recorrer ao STF para tentar suspender a proibição.
A restrição foi determinada após Flávio Bolsonaro ler, durante uma transmissão nas redes sociais, uma carta atribuída ao ex-presidente. No documento, Jair Bolsonaro pediu unidade aos aliados e apresentou o senador como pré-candidato à Presidência e seu porta-voz político.
Uma decisão anterior do Supremo proibia o ex-presidente de utilizar as redes sociais de forma direta ou por intermédio de terceiros. Ao analisar o episódio, Alexandre de Moraes entendeu que a divulgação poderia representar descumprimento da ordem judicial.
O ministro também encaminhou o caso ao Ministério Público Eleitoral, diante da possibilidade de a leitura ser investigada como propaganda eleitoral antecipada.
“A divulgação de vídeo em rede social e utilização de expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto pode configurar propaganda eleitoral antecipada em período vedado pela legislação”, registrou Moraes na decisão.
Com a suspensão, pai e filho não poderão se encontrar até 13 de outubro, data posterior ao primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Uma ala do PL considera que a ausência de contato direto com Jair Bolsonaro poderá dificultar decisões estratégicas, principalmente durante a formação dos palanques estaduais. Para esse grupo, o ex-presidente permanecia como principal referência política e eleitoral da pré-candidatura.
Outro setor da legenda avalia que os principais acordos regionais já estão encaminhados e que Flávio Bolsonaro recebeu autonomia suficiente para conduzir as articulações. A tendência seria reduzir a permanência do senador em Brasília, instalar o núcleo central da campanha em São Paulo e ampliar as viagens pelos estados.
Coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou a determinação e afirmou que a medida compromete a comunicação entre o ex-presidente e o candidato escolhido pelo partido.
“É evidente que atrapalha. Termina impedindo que o maior líder da direita se comunique com o seu pré-candidato, que por acaso é seu filho. Além disso, há um vínculo familiar”, declarou.
A reorganização ocorre em um momento de desgaste político para Flávio Bolsonaro. Nos últimos meses, vieram a público áudios e mensagens relacionados a um pedido de recursos ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.
A campanha também foi afetada pelo rompimento público entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela afirmou ter sido desrespeitada durante divergências envolvendo a construção do palanque do PL no Ceará e chegou a mencionar a possibilidade de deixar o partido.
Outro foco de instabilidade envolve o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que teve mais de R$ 199 milhões em bens bloqueados em uma investigação da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades na indicação de emendas parlamentares.
Com a proibição das visitas de Flávio Bolsonaro, o contato presencial com o ex-presidente ficará restrito aos advogados e aos filhos Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro. Michelle Bolsonaro, por residir com o marido, continuará mantendo contato diário com ele.
Aliados do senador avaliam que esse cenário poderá tornar a comunicação mais lenta e ampliar o peso dos intermediários nas decisões. A relação desgastada entre Flávio e Michelle também é apontada como um fator capaz de gerar novas dificuldades dentro do núcleo político da família.
O impacto eleitoral da decisão ainda divide integrantes do partido. Enquanto uma ala prevê prejuízo direto à campanha, outra acredita que a restrição poderá acelerar a autonomia de Flávio Bolsonaro e forçá-lo a assumir integralmente a condução política de sua candidatura.
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