Política / Justiça
Weintraub rompe com Bolsonaro após interrogatório no STF: “Fui muito otário”
Ex-ministro da Educação critica declarações do ex-presidente, chama bolsonarismo de “lepra” e diz ter sido enganado
11/06/2025
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub publicou duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a oitiva do ex-chefe do Executivo no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10). Em postagem na rede social X (antigo Twitter), Weintraub afirmou: “Nós, que acreditamos no Bolsonaro em algum momento, fomos otários! Eu fui muito otário!”
A reação ocorre após declarações de Bolsonaro durante o interrogatório conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal sobre a tentativa de golpe em 2022. Em tom de deboche, o ex-presidente chegou a “convidar” Moraes para ser seu vice em 2026, provocando risos na sala de audiência. O ministro respondeu com ironia: “Eu declino”.
Weintraub, que foi um dos principais nomes do núcleo ideológico do governo Bolsonaro, compartilhou o vídeo do episódio e voltou a criticar duramente o ex-presidente e seu entorno político.
“O bolsonarismo é uma lepra, rastejante, covarde, mentirosa e calhorda”, escreveu o ex-ministro, que também publicou uma imagem de um rato com a legenda: “Esse rato é mais imundo e covarde do que eu imaginava.”
As falas ocorreram após Bolsonaro classificar, durante o depoimento, os apoiadores que pediam intervenção militar e volta do AI-5 como “malucos” — sinalizando distanciamento de discursos extremistas, o que desagradou setores mais radicais de sua base.
Nomeado ministro da Educação em abril de 2019, Abraham Weintraub permaneceu no cargo por 14 meses. Durante esse período, acumulou polêmicas com reitores, estudantes, parlamentares, e foi alvo de críticas por ataques a minorias, à China e ao STF — este último, chamado por ele de “vagabundos” em reunião ministerial.
Sua demissão ocorreu em junho de 2020, sob forte pressão institucional. Desde então, Weintraub rompeu com Bolsonaro e passou a criticá-lo publicamente, alegando traição e abandono por parte do grupo político.
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