Palmas (TO), Quarta-feira, 22 de Julho de 2026

Política / Investigação

Flávio Bolsonaro defende serviços de escritório e nega pagamentos da Copenhagen

Senador afirma que relação com empresa de contabilidade foi “legal e privada”, mas não esclarece por que emitiu notas para contratação que diz ter recusado

22/07/2026

16:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu à divulgação de notas fiscais emitidas por seu escritório de advocacia para empresas relacionadas à estrutura empresarial do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em vídeo publicado nesta quarta-feira, 22 de julho, o parlamentar classificou os serviços prestados como uma relação “completamente legal e privada”.

O escritório de Flávio emitiu três notas fiscais de R$ 500 mil, totalizando R$ 1,5 milhão. Duas foram destinadas à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. e canceladas no mesmo dia. A terceira foi emitida para a Contábil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda., sem registro público de cancelamento. 

Flávio confirmou que prestou serviços advocatícios à Contábil Correa, conhecida comercialmente como BR Global, mas negou ter trabalhado ou recebido recursos da Copenhagen.

“Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada”, afirmou.

Notas para Copenhagen foram canceladas

As duas notas destinadas à Copenhagen foram emitidas em 7 de abril de 2025, no valor de R$ 500 mil cada, e canceladas logo depois. Os documentos descreviam a prestação de serviços de consultoria jurídica.

No vídeo, o senador declarou que chegou a ser consultado, mas decidiu não aceitar o trabalho.

“Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Vorcaro para fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso. Eu não quis trabalhar para essa empresa. Cancelei duas notas fiscais”, disse.

A explicação confirma o cancelamento, mas não detalha por que as notas foram emitidas antes da formalização ou execução dos serviços que, segundo o senador, não chegaram a ser aceitos.

Dois dias depois, em 9 de abril de 2025, o escritório emitiu a terceira nota, de R$ 500 mil, para a Contábil Correa. Flávio sustenta que essa cobrança correspondeu a serviços jurídicos efetivamente prestados.

Empresas possuem o mesmo responsável

A Copenhagen e a Contábil Correa estão ligadas ao contador Rogério Lourenço Novo. Ele aparece nos registros empresariais como diretor da Copenhagen e sócio-administrador da Contábil Correa.

Rogério também integra o conselho fiscal da Ambipar, companhia mencionada em apurações sobre a rede empresarial relacionada ao grupo de Daniel Vorcaro.

A Copenhagen foi criada em novembro de 2024, com capital social declarado de R$ 40, e teria recebido aproximadamente R$ 58 milhões em recursos vinculados ao Banco Master. A empresa passou a figurar entre as maiores destinatárias de valores provenientes do grupo financeiro. 

Formalmente, a companhia pertence ao Fundo de Investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM, gestora investigada pela Polícia Federal por suspeitas de movimentação e ocultação de patrimônio ligado a Vorcaro.

Senador critica reportagem e alega vazamento

Flávio Bolsonaro classificou como criminosa a reportagem que revelou os documentos fiscais e afirmou que a publicação teria tentado marginalizar o exercício da advocacia.

O pré-candidato também voltou a alegar que seus dados fiscais teriam sido obtidos e divulgados ilegalmente. Segundo ele, como não seria formalmente investigado, as informações não poderiam constar de procedimentos oficiais sem autorização judicial.

A Polícia Federal já informou, em outro episódio relacionado ao caso, que não identificou até o momento a corporação como origem do vazamento de um áudio envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro. 

Relação com Vorcaro já havia sido revelada

Antes da divulgação das notas fiscais, a relação entre Flávio e o banqueiro havia ganhado repercussão por causa do financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senador admitiu ter procurado Vorcaro para buscar recursos privados destinados ao projeto audiovisual, mas sustenta que não houve irregularidade na negociação.

Com os novos documentos, as apurações jornalísticas passaram a examinar se existiram outras relações comerciais entre o escritório do parlamentar e empresas conectadas à estrutura financeira do Master.

Até o momento, a emissão das notas fiscais, por si só, não comprova prática criminosa. As circunstâncias dos contratos, a efetiva prestação dos serviços e a origem dos pagamentos dependem da análise de documentos e das investigações conduzidas pelas autoridades.


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