Política / Eleições 2026
Rogério Marinho nega mudança de tom de Flávio Bolsonaro após crises na pré-campanha
Coordenador afirma que reação do senador decorre de denúncias recentes e diz que campanha ainda busca reverter neutralidade de PP e União Brasil
23/07/2026
11:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, negou nesta quinta-feira (23) que o pré-candidato tenha adotado uma postura mais agressiva após os desgastes envolvendo o caso Banco Master e a crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Em entrevista à GloboNews, Marinho afirmou que Flávio não estaria tentando reproduzir o chamado “estilo Jair”, marcado por declarações mais duras, transmissões em vídeo e enfrentamentos públicos. Segundo ele, houve apenas uma reação às notícias divulgadas nos últimos dias.
“Não houve mudança no tom. O que ocorre é uma indignação natural ao que está sendo colocado. Estar indignado com a forma como as coisas estão sendo tratadas não é subir o tom”, declarou.
A pré-campanha passou a enfrentar novos questionamentos após a divulgação de que Flávio Bolsonaro teria recebido R$ 500 mil por serviços advocatícios prestados a uma empresa supostamente ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O senador negou irregularidades e afirmou que os pagamentos foram feitos por serviços efetivamente prestados. Em gravação publicada nesta terça-feira (22), também acusou adversários de promoverem uma “divulgação seletiva” de informações.
Para Rogério Marinho, a postura do pré-candidato foi uma resposta ao que ele classificou como uso político de órgãos públicos.
“Flávio foi reativo ao uso da máquina pública, da Receita Federal, contra adversários políticos”, afirmou o coordenador.
Aliados, porém, passaram a observar semelhanças entre os vídeos recentes de Flávio e as transmissões realizadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante campanhas eleitorais, com linguagem mais direta e ataques a instituições e adversários.
Outro episódio que provocou repercussão ocorreu durante um encontro com diplomatas estrangeiros. Flávio afirmou que uma empresa investigada por suspeitas de fraude eleitoral na Venezuela também forneceria urnas eletrônicas ao Brasil.
A informação foi desmentida pela Justiça Eleitoral. A empresa citada pelo senador não fornece os equipamentos utilizados nas eleições brasileiras.
Rogério Marinho minimizou a declaração e disse que Flávio apenas defendeu maior fiscalização e aperfeiçoamento do sistema eleitoral.
O episódio ampliou a pressão sobre a campanha, principalmente porque ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral demonstraram preocupação com uma possível retomada dos ataques ao sistema eletrônico de votação.
Marinho também comentou a decisão da federação formada por Progressistas e União Brasil de manter neutralidade na disputa presidencial de 2026.
Segundo o coordenador, a campanha de Flávio Bolsonaro ainda não desistiu de obter o apoio das duas legendas e continuará negociando até o fim do prazo das convenções partidárias.
“Vamos procurá-los até o dia 5”, afirmou, em referência a 5 de agosto, data final para a realização das convenções.
A neutralidade da federação dificulta a ampliação da aliança nacional do PL, mas permite que os diretórios estaduais façam acordos diferentes conforme a realidade política de cada região.
A pré-campanha de Flávio tenta, neste momento, conter os efeitos das investigações relacionadas ao Banco Master, administrar divergências internas no bolsonarismo e ampliar a base partidária antes da oficialização da candidatura.
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