Política Internacional
Vice-presidente da Venezuela diz que país não será colônia dos EUA e convoca Conselho de Defesa da Nação
Delcy Rodríguez exige libertação de Nicolás Maduro, acusa “sequestro” e afirma que Estado venezuelano foi acionado para resistir à ofensiva americana
03/01/2026
19:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou neste sábado (3) que o país “não será colônia dos Estados Unidos” e exigiu a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, capturado por militares norte-americanos após bombardeios contra o território venezuelano.
Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, Delcy declarou que Maduro é o único presidente legítimo do país e que a Venezuela resistirá à investida do governo dos EUA.
“Exigimos a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, o único presidente da Venezuela, e de sua esposa, Cilia Flores. Jamais seremos escravos, jamais seremos colônia de qualquer império”, afirmou.
A manifestação ocorreu minutos após coletiva do presidente dos EUA, Donald Trump, na qual ele afirmou que Washington governaria a Venezuela até uma “transição segura” e admitiu que empresas americanas explorariam o petróleo venezuelano.
Delcy classificou a captura de Maduro como “sequestro”, ocorrido por volta de 1h58 da madrugada, e acusou os EUA de tentarem controlar os recursos naturais do país sob falsos pretextos.
A vice-presidente participou da reunião do Conselho de Defesa da Nação, com a presença do ministro da Defesa Vladimir Padrino López, do ministro do Interior Diosdado Cabello e da presidente do Tribunal Superior de Justiça Tribunal Superior de Justiça da Venezuela, Caryslia Rodríguez, entre outras autoridades.
Segundo Delcy, todos os órgãos do Estado venezuelano foram ativados, por decreto assinado por Maduro, para proteger o território nacional.
“Todo o poder nacional da Venezuela foi acionado. Temos o dever sagrado de salvaguardar nossa independência, soberania e integridade territorial”, disse.
Delcy convocou todos os poderes e organizações venezuelanas a manterem a calma e reforçou a necessidade de união nacional.
“Que essa fusão policial-militar-popular se converta em um só corpo para defender nossa soberania e independência”, declarou.
Ela também agradeceu manifestações de solidariedade internacionais e alertou que o precedente pode atingir outros países.
“O que fizeram com a Venezuela hoje podem fazer com qualquer nação amanhã”, afirmou.
A ofensiva marca um novo episódio de intervenção direta dos EUA na América Latina. A última invasão ocorreu em 1989, no Panamá, quando os EUA capturaram o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.
Assim como no caso panamenho, Washington acusa Maduro de liderar o suposto “Cartel de Los Soles”, sem apresentar provas públicas. Especialistas em tráfico internacional questionam a existência do grupo. O governo Trump oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.
Críticos avaliam que a ação tem motivação geopolítica, visando afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia e ampliar o controle sobre o petróleo, já que o país detém as maiores reservas comprovadas do mundo.
Escalada de tensão regional e risco de confronto prolongado;
Mobilização total do Estado venezuelano;
Aumento da pressão diplomática internacional;
Repercussões no mercado de energia e na geopolítica global.
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