Palmas (TO), Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026

Saúde / Regulação

Cannabis medicinal avança no Brasil com quase 1 milhão de pacientes e nova consolidação regulatória

Produção nacional, RDC 327 e decisões da Anvisa indicam maturidade do setor, mas desafios informacionais persistem

27/02/2026

11:00

DA REDAÇÃO

Michelle Farran, fundadora da Cannabis Company

O mercado de cannabis medicinal no Brasil alcançou, em 2025, a marca de 873 mil pacientes ativos, segundo dados do Anuário do Mercado Cannabis 2025/2026, da Kaya Mind. O número aproxima o país de 1 milhão de usuários, sinalizando consolidação regulatória e expansão da oferta terapêutica.

Nos últimos anos, o acesso deixou de depender exclusivamente de autorizações excepcionais e importações demoradas, passando a operar dentro de um modelo regulatório estruturado. A base atual se sustenta em três frentes principais: a RDC 327, que permite a dispensação de produtos à base de cannabis em farmácias sob controle sanitário; a importação direta com prescrição médica; e o modelo associativo, que consolidou rede de apoio e produção autorizada.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em alinhamento com decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consolidou parâmetros para a produção nacional de cannabis medicinal. Especialistas avaliam que a medida tende a reduzir custos logísticos, ampliar rastreabilidade e conferir maior previsibilidade ao setor.

Mudança estrutural no acesso

Para Michelle Farran, fundadora da Cannabis Company, primeira farmácia exclusiva com pronta entrega de canabidiol no país, a evolução regulatória representa transição do modelo excepcional para uma estrutura sanitária organizada.

Segundo ela, o amadurecimento do mercado trouxe maior rigor técnico, exigência de Certificados de Análise (COA), padronização de protocolos e integração gradual com decisões judiciais que autorizam fornecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em casos específicos.

A especialista aponta que o tratamento deixou de depender majoritariamente de decisões emergenciais e passou a integrar uma lógica regulatória permanente, com maior controle de qualidade e acompanhamento profissional.

Gargalos permanecem

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta obstáculos. Especialistas indicam que o principal desafio atual não é regulatório, mas informacional. Persistem dúvidas entre pacientes e profissionais de saúde sobre prescrição, indicação terapêutica e segurança do uso.

A ampliação do acesso depende de qualificação técnica, capacitação médica e disseminação de informações baseadas em evidências científicas. Para analistas do setor, a consolidação regulatória já permite afirmar que o processo de início de tratamento está mais previsível e seguro do que há dois anos, desde que haja orientação adequada.

Com o crescimento das prescrições e a estabilização normativa, o Brasil caminha para uma fase menos marcada pela judicialização e mais alinhada à normalização sanitária, integrando a cannabis medicinal à estrutura formal do sistema de saúde.


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