Comportamento / Sociedade
Dia da Saudade: quando a ausência permanece e o vínculo continua
Data lembrada em 30 de janeiro convida à reflexão sobre luto, memória e afeto
30/01/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O Dia da Saudade, lembrado em 30 de janeiro, propõe uma pausa no ritmo cotidiano para olhar com mais atenção para as ausências que permanecem. A data não é marcada por celebrações, mas carrega um significado profundo para quem vive o luto. A saudade não se limita a momentos específicos: ela atravessa dias comuns, memórias simples e silêncios inesperados.
Para pessoas enlutadas, a saudade pode se manifestar de forma intensa e imprevisível. Uma música, um cheiro ou uma lembrança são suficientes para reativar a percepção da ausência de quem morreu. Sentimentos como tristeza, irritação, cansaço emocional e vontade de se isolar fazem parte desse processo e não indicam fragilidade. São expressões legítimas de um vínculo afetivo que continua existindo.
Ainda persiste a expectativa social de que o tempo “resolva” o luto ou de que a dor diminua de forma linear. A experiência mostra que a saudade não obedece a um roteiro fixo. Ela muda de forma e intensidade ao longo da vida. Em alguns dias, aparece como dor; em outros, como memória ou gratidão. Todas essas manifestações são válidas.
O Dia da Saudade pode pesar mais para algumas pessoas e passar quase despercebido para outras. Não existe uma maneira correta de atravessar a data. Respeitar o próprio ritmo, reconhecer limites e escolher como lembrar são formas legítimas de cuidado consigo.
Para quem convive com pessoas enlutadas, a escuta e o respeito costumam ser mais eficazes do que tentativas de consolo rápido. Evitar frases prontas e permitir que o outro fale — ou permaneça em silêncio — é um gesto de acolhimento. Presença e disponibilidade fazem diferença.
O luto não é um problema a ser resolvido, mas um processo humano que pede tempo e, em alguns casos, apoio especializado. Quando a dor se torna paralisante ou interfere de forma significativa na rotina, buscar ajuda profissional é um ato de cuidado, não de fraqueza.
Apesar de dolorosa, a saudade é herança de amor. Ela guarda aquilo que teve valor e significado. O Dia da Saudade não exige força excessiva. Para quem vive o luto, atravessar o dia já é suficiente. A saudade não é fraqueza: é vínculo — e pode coexistir com memória, dignidade e afeto.
Baseda no texto de Mylena Cooper, estudiosa do luto e de ritos fúnebres, influenciadora do mercado funerário, diretora dos Crematórios e Cemitérios Vaticano e CEO da The Diamond
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