Palmas (TO), Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2026

Política / Justiça Militar

STM define relatores dos pedidos de perda de patente de Bolsonaro e aliados: veja quem são os ministros responsáveis

MP Militar quer cassação de postos de Jair Bolsonaro, Heleno, Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e Almir Garnier após condenação por trama golpista

03/02/2026

16:00

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

O Superior Tribunal Militar (STM) definiu, por sorteio eletrônico, os relatores e revisores das representações apresentadas pelo Ministério Público Militar (MPM) que pedem a perda de postos e patentes do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros quatro militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na tentativa de ruptura democrática após as eleições de 2022.

A medida pode resultar, na prática, na expulsão dos militares das Forças Armadas, caso o plenário do STM reconheça a indignidade ou incompatibilidade para o oficialato, conforme prevê a Constituição Federal.

Quem relata cada caso no STM

As ações foram distribuídas individualmente, embora exista a possibilidade de julgamento conjunto. Confira os responsáveis por cada processo:

🔹 Jair Bolsonaro (capitão da reserva do Exército)

  • Relator: ministro brigadeiro do Ar Carlos Vuyk de Aquino

  • Revisora: ministra Verônica Abdalla

🔹 Almir Garnier (ex-comandante da Marinha)

  • Relatora: ministra Verônica Abdalla

  • Revisor: ministro general de Exército Guido Amin Naves

🔹 Paulo Sérgio Nogueira (general e ex-ministro da Defesa)

  • Relator: ministro José Barroso Filho

  • Revisor: ministro general de Exército Flavio Marcus Lancia Barbosa

🔹 Augusto Heleno (general da reserva)

  • Relator: ministro almirante Celso Luiz Nazareth

  • Revisor: ministro Péricles Aurélio Lima de Queiroz

🔹 Walter Braga Netto (general da reserva)

  • Relator: ministro general de Exército Flavio Marcus Lancia Barbosa

  • Revisor: ministro Artur Vidigal de Oliveira

O que o STM vai julgar

O STM não reavalia a condenação criminal, que já foi decidida pelo STF. A Corte Militar analisa apenas os efeitos da sentença no âmbito militar, ou seja, se os condenados têm condições éticas e morais de permanecer no oficialato.

A Constituição estabelece que militares condenados a penas superiores a dois anos, com decisão transitada em julgado, podem perder posto e patente por meio de representação por indignidade ou incompatibilidade.

Possíveis consequências

  • Cassação do posto e da patente, com desligamento das Forças Armadas;

  • Fim do soldo pago ao militar condenado;

  • Pagamento de pensão a dependentes, no regime conhecido como morte ficta;

  • Impacto sobre o local de cumprimento da pena, hoje em unidades militares.

Rito do julgamento

  1. Abertura de prazo de 10 dias para defesa escrita;

  2. Elaboração dos votos do relator e do revisor;

  3. Julgamento em plenário, composto por 15 ministros (10 militares e 5 civis);

  4. Em caso de empate, a presidente do STM vota — com previsão regimental de decisão favorável ao réu.

Nos últimos anos, o STM analisou 97 processos desse tipo, com 84 decisões pela perda de posto e patente, principalmente em casos de corrupção, peculato e estelionato. Este, porém, é o primeiro caso envolvendo crime contra a democracia.


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