Política / Eleições 2026
Flávio Bolsonaro afirma confiar nas urnas, mas não esclarece declaração sobre a Smartmatic
Pré-candidato negou ter questionado o sistema eleitoral após associar equipamentos brasileiros à empresa venezuelana, relação desmentida pelo TSE
22/07/2026
11:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter “integral confiança” no sistema eleitoral brasileiro após a repercussão de declarações feitas durante um encontro com diplomatas estrangeiros, em Brasília. A manifestação, porém, não corrigiu nem explicou a afirmação de que urnas utilizadas no Brasil teriam a mesma origem de equipamentos ligados à empresa venezuelana Smartmatic.
A nota foi divulgada nesta quarta-feira, 22 de julho, e assinada pelo senador, pelo coordenador-geral de sua pré-campanha, Rogério Marinho (PL-RN), e pela coordenadora jurídica Maria Claudia Bucchianeri.
No documento, a equipe sustenta que Flávio não colocou em dúvida a integridade da votação eletrônica. Segundo o texto, o pré-candidato apenas defendeu que outros países enviem representantes para acompanhar as eleições brasileiras.
“O pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que não está questionando o sistema de votação brasileiro e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional”, diz a nota.
A reação ocorreu depois da divulgação de um vídeo gravado durante o evento “Debatendo o Brasil”, realizado na terça-feira, 21 de julho, no Brasília Palace Hotel. O encontro reuniu representantes diplomáticos de dezenas de países.
Durante a apresentação, Flávio mencionou informações atribuídas a documentos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) sobre suspeitas envolvendo eleições na Venezuela e a Smartmatic.
Em seguida, afirmou:
“Só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana.”
A declaração contraria informações oficiais da Justiça Eleitoral. A Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem desenvolve os programas usados nos equipamentos brasileiros.
Apesar de reafirmar confiança no processo eleitoral, a nota da pré-campanha não informou em quais dados Flávio se baseou para relacionar as urnas brasileiras à empresa venezuelana.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclarece que o projeto da urna eletrônica e o sistema de votação foram desenvolvidos e são administrados pela própria Justiça Eleitoral.
Segundo o tribunal, os equipamentos são produzidos sob sua supervisão por empresas escolhidas por meio de licitações públicas. A Smartmatic nunca forneceu urnas nem participou da programação dos sistemas utilizados para registrar e contabilizar os votos no Brasil.
A empresa já firmou contratos para serviços específicos, como conexão de dados e voz e treinamento de profissionais responsáveis por suporte técnico. Essas atividades, segundo o TSE, não envolveram o desenvolvimento ou a operação das urnas.
A Smartmatic também participou de uma licitação para fabricar equipamentos destinados às eleições de 2020, mas foi derrotada pela empresa Positivo.
No encontro com os diplomatas, Flávio pediu que os países representados enviassem o maior número possível de observadores para acompanhar o pleito de outubro.
“Não estou questionando o sistema de eleição brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossa eleição e pessoas que têm conhecimento sobre essa tecnologia”, declarou. (JC)
A nota posterior sustentou que missões internacionais podem contribuir para aperfeiçoar o processo, ampliar a transparência e aumentar a confiança pública nas eleições.
O acompanhamento internacional não é uma novidade no Brasil. Missões de observação podem ser convidadas pela Justiça Eleitoral para verificar procedimentos, acompanhar etapas do processo e elaborar relatórios com recomendações.
A manifestação também foi comparada à reunião realizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros, em 2022, quando ele apresentou questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas.
O episódio resultou na condenação de Bolsonaro pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A Corte determinou sua inelegibilidade por oito anos.
Durante o evento desta semana, Flávio citou diretamente o caso do pai e afirmou que a reunião anterior teria sido motivada por preocupações com a transparência e a segurança do sistema eleitoral.
A declaração sobre a origem das urnas deverá permanecer no centro do debate político. Embora a pré-campanha tenha negado qualquer intenção de questionar o processo eleitoral, não apresentou correção pública para a informação desmentida pelo TSE.
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