Economia / Exportações
Produtos que concentram exportações de MS aos EUA ficam fora da tarifa de 25%
Nove dos dez itens mais vendidos pelo Estado no primeiro semestre foram incluídos na lista de exceções; sebo bovino continua sujeito à cobrança
16/07/2026
09:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Os produtos responsáveis por quase toda a receita das exportações de Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026 ficaram fora da tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo de Donald Trump. Entre os dez itens mais vendidos pelo Estado ao mercado norte-americano, nove foram incluídos na relação de exceções.
O levantamento considera dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e a lista final de produtos dispensados da sobretaxa divulgada pelo governo dos Estados Unidos.
Entre janeiro e junho, Mato Grosso do Sul exportou US$ 371,02 milhões para o mercado norte-americano. Os dez principais produtos responderam por US$ 368,37 milhões, equivalentes a 99,3% de toda a receita estadual obtida com vendas ao país.
Desse grupo, mercadorias que somaram US$ 358,57 milhões foram contempladas pelas exceções. O valor representa 96,6% do total exportado pelo Estado aos Estados Unidos no período.
Considerando toda a pauta exportadora, os itens protegidos correspondem a aproximadamente 97,1% da receita. Já os produtos potencialmente sujeitos à nova cobrança somaram cerca de US$ 10,79 milhões, ou 2,9% das exportações estaduais ao mercado norte-americano.
A carne bovina desossada congelada foi o principal produto exportado por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos no primeiro semestre, com receita de US$ 190,37 milhões. A mercadoria foi incluída na lista de isenções.
Também ficou fora da cobrança a carne bovina desossada fresca ou refrigerada, responsável por outros US$ 20,08 milhões em vendas.
Juntas, as duas categorias somaram US$ 210,45 milhões em exportações protegidas da tarifa adicional. A relação norte-americana contempla as subdivisões tarifárias de carnes frescas e congeladas classificadas nos grupos 0201 e 0202.
O ferro-gusa, segundo principal produto da pauta sul-mato-grossense para os Estados Unidos, também escapou da nova cobrança. As vendas chegaram a US$ 74,24 milhões no primeiro semestre.
A inclusão da mercadoria entre as exceções ocorreu após a análise das manifestações apresentadas durante o processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A celulose, com US$ 59,38 milhões exportados, também aparece na relação de produtos protegidos.
Entre os demais itens do grupo dos dez mais vendidos e contemplados pelas exceções estão carne salgada, seca ou defumada, filés de tilápia, determinadas categorias de couros bovinos, fécula de mandioca e tapioca.
O único produto entre os dez principais que não foi identificado na lista específica de isenções foi o sebo bovino fundido.
As exportações da mercadoria renderam US$ 9,81 milhões a Mato Grosso do Sul entre janeiro e junho. Com a ausência na relação de exceções, o produto permanece sujeito à tarifa adicional de 25%.
O resultado mostra que, embora a carne bovina tenha sido preservada, a cadeia frigorífica estadual não ficou totalmente protegida.
O sebo bovino é utilizado como insumo industrial na fabricação de combustíveis, sabões e outros produtos derivados.
Entre as mercadorias de menor valor potencialmente alcançadas pela nova cobrança estão couros bovinos preparados, concentrados de proteínas, álcool etílico, ovos sem casca, sementes forrageiras e alguns alimentos industrializados.
Segundo o governo norte-americano, permaneceram fora da tarifa matérias-primas consideradas essenciais, produtos cuja cobrança poderia causar problemas de abastecimento e itens que não são produzidos internamente em volume suficiente.
Também foram levadas em consideração as dificuldades para substituir determinados produtos brasileiros por mercadorias de outros fornecedores internacionais.
A tarifa adicional de 25% passará a ser aplicada aos produtos brasileiros que entrarem para consumo nos Estados Unidos a partir de 22 de julho de 2026.
A medida foi adotada após uma investigação conduzida pelo USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
O processo analisou alegações de práticas comerciais consideradas prejudiciais a empresas e exportadores dos Estados Unidos. Após manifestações de entidades e companhias dos dois países, o governo Trump confirmou a sobretaxa, mas publicou uma extensa lista de exceções.
Empresas como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens Energy estiveram entre as que se manifestaram contra a aplicação ampla da cobrança.
A relação final acabou protegendo produtos estratégicos para Mato Grosso do Sul, como carne bovina, ferro-gusa e celulose, que concentram a maior parte das vendas estaduais para os Estados Unidos.
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