Política / Economia
Lula critica impacto da guerra sobre combustíveis e promete agir para segurar preço do diesel
Presidente atribui pressão inflacionária ao conflito no Oriente Médio e governo prepara medida temporária para subsidiar diesel importado
31/03/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a associar, nesta terça-feira, 31 de março de 2026, a alta internacional do petróleo aos efeitos da guerra no Oriente Médio e afirmou que o governo federal vai adotar todas as medidas possíveis para impedir que o aumento do óleo diesel chegue com mais força ao consumidor brasileiro. Durante evento em São Paulo, o chefe do Executivo declarou que o conflito não pode ser repassado à população e resumiu a posição do Planalto ao dizer que “a guerra é do Trump, não é do povo brasileiro”.
Na fala, Lula destacou que o diesel tem peso direto sobre a inflação por influenciar custos de transporte e, consequentemente, os preços de alimentos e mercadorias. O presidente também criticou a estrutura de distribuição de combustíveis no país e argumentou que, mesmo quando há redução na refinaria, esse movimento nem sempre chega integralmente ao consumidor final. Segundo ele, o governo acompanha o tema com apoio de órgãos de fiscalização e pretende agir para conter novos repasses.
Ao comentar o cenário internacional, Lula voltou a cobrar responsabilidade das grandes potências militares e dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia. Em seu discurso, o presidente afirmou que a escalada bélica tem consequências globais, especialmente sobre energia e alimentos, e defendeu uma atuação internacional voltada à paz, e não ao agravamento dos conflitos.
No campo econômico, o governo deve editar ainda nesta semana uma medida provisória para criar um subsídio emergencial ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro por até dois meses. A proposta prevê custo total de R$ 3 bilhões, dividido igualmente entre União e estados, com participação de R$ 0,60 por litro para cada lado. O objetivo é reduzir os impactos da disparada do petróleo sobre os combustíveis e diminuir o risco de desabastecimento.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, mais de 80% dos estados já indicaram adesão ao modelo proposto pela equipe econômica, embora ainda haja resistência pontual de algumas unidades da Federação. A Fazenda trabalha para ampliar a adesão antes da publicação formal da medida, mas o ministro Dario Durigan afirmou que a iniciativa não depende da concordância de todos os estados para sair do papel.
A pressão sobre os preços ocorre em meio ao avanço da guerra iniciada no fim de fevereiro de 2026, após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde então, o barril do petróleo acumulou forte valorização, com relatos de alta superior a 50% em março, num movimento que reacendeu preocupações com inflação global, logística de abastecimento e segurança energética.
No Brasil, o tema ganhou dimensão política e econômica porque o país depende de importações para suprir parte do consumo interno de diesel. Com isso, oscilações no mercado internacional têm reflexo direto sobre a cadeia de transportes, sobre o custo da produção e sobre o preço final pago pela população. A tentativa do governo, neste momento, é evitar que a escalada externa provoque um novo choque doméstico nos combustíveis.
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