Política / Polícia
Magno Malta nega agressão a técnica de radiologia e fala em “falsa comunicação de crime”
Senador publicou vídeo ainda internado, com eletrodos na cabeça, e afirmou que não tocou na profissional; caso é investigado pela PCDF
02/05/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O senador Magno Malta (PL-ES) foi às redes sociais para negar a acusação de agressão feita por uma técnica de radiologia do Hospital DF Star, em Brasília. A profissional registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) afirmando que teria sido agredida durante um exame realizado na quinta-feira, 30 de abril.
Em vídeo gravado ainda no hospital, com eletrodos na cabeça, o parlamentar disse que permanece internado e que passaria por avaliação médica durante 12 horas. Ele negou ter dado tapa no rosto da profissional e classificou a denúncia como “falsa comunicação de crime”.
“Vocês me conhecem. Eu nunca encostei a mão em ninguém, nem nas minhas filhas, nem em nenhuma mulher. Isso é falsa comunicação de crime”, afirmou Magno Malta.
No vídeo, Magno Malta mostrou o braço e afirmou que o médico responsável teria pedido desculpas pelo ocorrido e providenciado um especialista para realizar o acesso venoso.
“Então é mentira. Eu não sei qual é a intenção dessa pessoa, mas é falsa comunicação de crime. Não toquei um dedo em ninguém”, declarou o senador.
A manifestação ocorreu após a repercussão do boletim de ocorrência registrado pela técnica, que afirma ter sido agredida e ofendida verbalmente durante o atendimento.
Além do vídeo, a equipe jurídica de Magno Malta divulgou nota negando qualquer agressão física ou verbal contra a profissional. Segundo a defesa, o senador estava sob forte medicação, com a cognição comprometida e sentindo dores intensas no momento do exame.
De acordo com os advogados, nesse contexto, o parlamentar teria reagido ao sofrimento físico, e não à técnica de radiologia. A defesa também afirma que Magno Malta acionou imediatamente o médico responsável por seu acompanhamento.
A assessoria do senador divulgou imagens em que ele aparece conversando com a equipe médica após o episódio. Segundo a defesa, as imagens reforçariam a versão de que não houve agressão contra a profissional.
Na nota, os advogados de Magno Malta afirmam que, em nenhum momento, houve ato de violência física ou verbal contra a técnica. A defesa sustenta ainda que a versão apresentada pela profissional não teria respaldo em elementos probatórios.
Os advogados também alegam que houve falha no procedimento realizado durante o exame. Segundo a defesa, a evolução clínica do senador indicaria consequências objetivas de uma administração inadequada do contraste, como trombose e hematoma no membro superior.
A técnica de radiologia afirma que a agressão ocorreu durante uma angiotomografia de tórax e coronárias, exame para o qual o senador havia sido encaminhado após passar mal.
Segundo o relato da profissional, ela era responsável por conduzir Magno Malta até a sala de exames, realizar a monitorização e iniciar os procedimentos, incluindo o teste de acesso venoso com soro.
A técnica disse que, ao iniciar a injeção de contraste, o equipamento identificou uma oclusão e interrompeu automaticamente o procedimento. Ao verificar a situação, ela teria constatado o extravasamento do líquido no braço do parlamentar.
Ainda segundo o depoimento, ao explicar a necessidade de compressão no local, o senador teria reagido de forma agressiva. A profissional afirma que Magno Malta se levantou do aparelho e, quando ela se aproximou para prestar assistência, teria desferido um tapa em seu rosto, chegando a entortar seus óculos.
A vítima também afirma ter sido chamada de “imunda” e “incompetente”.
Após o episódio, a profissional relatou que deixou a sala assustada e chamou outros integrantes da equipe, incluindo uma enfermeira e um médico.
De acordo com o boletim de ocorrência, o senador teria recusado atendimento posterior. A técnica informou ainda ter sentido dor e apresentado vermelhidão no rosto depois do ocorrido. Ela também declarou temer um novo encontro com o parlamentar.
O caso foi registrado na PCDF e será investigado.
O Hospital DF Star informou que abriu uma apuração administrativa para verificar as circunstâncias do episódio. A unidade também afirmou que presta suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão.
O hospital declarou ainda que está à disposição das autoridades para fornecer os esclarecimentos necessários durante a investigação.
Magno Malta foi hospitalizado na quinta-feira, 30 de abril, depois de passar mal enquanto seguia para o Congresso Nacional. O parlamentar iria acompanhar a sessão de análise do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, que trata da revisão de penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que estava bem e em recuperação após realizar exames.
“Estou no hospital. Acabei de fazer uma tomografia e, graças a Deus, estou bem. Queria estar no plenário para me pronunciar, porque hoje é um dia muito importante. Mas estou bem. Vou voltar mais forte”, declarou.
A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal deverá confrontar as versões apresentadas pela técnica, pelo senador, pela defesa e pelo hospital.
De um lado, a profissional afirma ter sido agredida fisicamente e ofendida verbalmente durante o atendimento. De outro, Magno Malta nega a agressão, atribui o episódio a uma intercorrência médica e diz ter reagido à dor intensa provocada pelo extravasamento do contraste.
A apuração deverá avaliar boletim de ocorrência, registros hospitalares, imagens, depoimentos da equipe médica e demais elementos que possam esclarecer as circunstâncias do atendimento.
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