Política / Investigação
Flávio Bolsonaro admite relação com Vorcaro por filme e diz que novos materiais podem ser divulgados
Senador afirma que contatos com banqueiro trataram apenas da produção sobre Jair Bolsonaro e pediu desculpas por ter negado vínculo inicialmente
15/05/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta sexta-feira, 15 de maio, que novos materiais sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, podem vir a público. O parlamentar, no entanto, negou qualquer irregularidade e disse que todos os contatos com o empresário tiveram como finalidade exclusiva a busca de financiamento para o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em entrevista à CNN Brasil, Flávio disse que eventuais novos vazamentos não trariam informações diferentes das já conhecidas sobre a produção cinematográfica.
“É legítimo que pensem dessa forma, mas não tem nada diferente do filme. Pode vazar um ‘videozinho’ mostrando o estúdio que eu possa ter enviado pra ele, algum encontro que eu possa ter tido com ele, mas foi tudo para tratar sobre o filme, não vai ter surpresinha”, declarou.
O senador também negou ter relação pessoal próxima com Daniel Vorcaro. Segundo ele, o contato com o banqueiro foi restrito às tratativas de captação de recursos para a produção.
“Nunca viajei com ele, não tinha convívio social com ele. Minha conexão foi estritamente para o investimento do filme”, afirmou.
As declarações foram dadas após a divulgação, pelo The Intercept Brasil, de áudios, mensagens, documentos e comprovantes bancários relacionados ao financiamento do longa “Dark Horse”.
Segundo a reportagem, Daniel Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões, entre fevereiro e maio de 2025, para o projeto. O contrato total seria estimado em R$ 134 milhões.
Inicialmente, Flávio Bolsonaro havia negado qualquer participação do banqueiro no financiamento da produção. Depois da publicação dos documentos, o senador admitiu ter buscado recursos privados para o filme nos Estados Unidos.
Questionado sobre a mudança de versão, o parlamentar pediu desculpas por ter negado anteriormente a relação com Vorcaro. Ele alegou que temia perseguição política.
“Se alguém não entende a razão da minha obrigação de me comportar daquele jeito, eu peço desculpas. Eu sabia que isso ia acontecer, essa perseguição, sabia que iam jogar sujo”, disse.
O caso ganhou novos desdobramentos com a revelação de que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro aparece como produtor-executivo do filme, ao lado do deputado federal Mario Frias.
De acordo com contrato obtido pelo The Intercept Brasil, os dois teriam participação em decisões relacionadas ao orçamento e à captação de recursos da produção.
A Polícia Federal também apura se parte dos valores ligados ao filme pode ter sido usada, de forma indireta, para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e ações de articulação política com o governo do presidente Donald Trump.
A investigação busca esclarecer a origem, o destino e a finalidade dos recursos destinados ao projeto. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro sustenta que a relação com Daniel Vorcaro ficou limitada ao financiamento privado da cinebiografia de seu pai.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Caiado critica Flávio por levar debate sobre urnas a encontro com embaixadores
Leia Mais
Cristina Kirchner contrata advogado brasileiro para contestar condenação em instâncias internacionais
Leia Mais
Morre aos 50 anos jornalista italiano que revelou declarações de Trump contra Meloni
Leia Mais
Flávio Bolsonaro defende serviços de escritório e nega pagamentos da Copenhagen
Municípios