Palmas (TO), Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

Política / Justiça

Gilmar propõe súmula no STF para barrar leis com impacto fiscal sem compensação

Texto busca firmar entendimento contra pautas que criem despesas, benefícios fiscais ou renúncia de receita sem previsão orçamentária

18/06/2026

17:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, uma proposta de súmula para consolidar o entendimento do tribunal sobre leis e atos normativos com impacto fiscal. A iniciativa busca conter as chamadas pautas-bomba aprovadas pelo Congresso Nacional sem estimativa de custo e sem indicação de medidas compensatórias.

A proposta foi enviada nesta quarta-feira, 17 de junho, após reunião entre Gilmar Mendes, Edson Fachin e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. No encontro, o representante da equipe econômica demonstrou preocupação com a aprovação de matérias capazes de gerar aumento expressivo de despesas ou perda de arrecadação para o governo federal.

A súmula tem como objetivo orientar julgamentos em todo o país e fixar a interpretação de que normas que criem despesas obrigatórias, concedam benefícios fiscais ou provoquem renúncia de receita sem impacto orçamentário previamente calculado são inconstitucionais.

O texto proposto por Gilmar Mendes se baseia em decisões anteriores do próprio STF e reforça a aplicação do artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Pela redação sugerida, a regra vale para a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios.

A minuta afirma que é inconstitucional qualquer lei ou ato normativo que crie ou altere despesa obrigatória, conceda benefício fiscal ou implique renúncia de receita sem estimativa prévia de impacto orçamentário e financeiro. O texto também exige a indicação das medidas compensatórias previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na prática, a súmula serviria como um freio jurídico para propostas aprovadas sem demonstração clara de como serão financiadas. O entendimento também poderá orientar atos dos Três Poderes nas esferas federal, estadual e municipal, caso seja aprovado pelo plenário do STF.

Caberá a Edson Fachin marcar o julgamento da proposta. O texto ainda precisará ser analisado pelos demais ministros da Corte e poderá sofrer alterações antes de eventual aprovação.

A discussão ocorre em meio à preocupação do governo federal com projetos de grande impacto nas contas públicas. Na semana passada, o Senado aprovou uma proposta que autoriza a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos e geopolíticos, incluindo reflexos da guerra no Irã.

A medida foi classificada como uma pauta de alto impacto fiscal. A estimativa é de que o custo possa chegar a R$ 140 bilhões em 10 anos, caso avance e seja implementada nos termos aprovados.

Com a proposta de súmula, o STF pode reforçar a exigência de responsabilidade fiscal na criação de despesas e benefícios. A decisão terá peso direto sobre o Congresso, governos estaduais, prefeituras e demais órgãos públicos, especialmente em projetos que ampliem gastos sem indicar fonte de custeio.


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