Política / Disputa
Zema volta a criticar Flávio Bolsonaro e nega proximidade com senador
Ex-governador de Minas reacende tensão no campo da direita ao comentar relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
19/06/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), voltou a elevar a temperatura da disputa interna no campo da direita ao negar proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e criticar novamente a relação do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi dada nesta sexta-feira, 19 de junho, e reacendeu o desconforto entre aliados bolsonaristas e integrantes do Partido Novo.
Ao comentar o caso, Zema afirmou que não concorda com políticos que mantiveram relação com Vorcaro, citado em investigações envolvendo o Banco Master. “Não concordo com quem lida com esse banqueiro que mostrou ser um grande bandido. Não posso aplaudir ninguém que se aproximou dele”, declarou o ex-governador.
A fala faz referência ao episódio conhecido como Dark Horse, em que um áudio vazado mostra Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar um filme em homenagem ao pai. O caso passou a ser usado por adversários políticos como ponto de desgaste contra o senador, que é apontado como possível candidato à Presidência.
Apesar de negar proximidade com Flávio Bolsonaro, Romeu Zema esteve ao lado do senador no início de junho, durante evento do setor pecuário em Belo Horizonte. Na ocasião, os dois dividiram palanque, brindaram com copos de leite e o ex-governador chegou a afirmar que “a direita está mais unida do que nunca”.
O encontro foi interpretado como uma tentativa de reduzir ruídos entre os dois pré-candidatos à Presidência, especialmente depois de Zema ter classificado o caso Dark Horse como “imperdoável”. A trégua, no entanto, durou pouco. Cerca de dez dias após o evento, o ex-governador voltou a criticar publicamente a aproximação de Flávio com Vorcaro.
Em entrevista ao canal Brasil Paralelo, no dia 12 de junho, Zema questionou se seria possível apoiar alguém ligado ao banqueiro. “Teria como eu aplaudir alguém que se aproxima do maior banqueiro bandido do Brasil? Eu acho que é difícil alguém querer aplaudir quem esteve, quem conviveu, com uma pessoa como ele”, afirmou.
As declarações provocaram reação imediata no bolsonarismo. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou as redes sociais para defender o irmão e sugerir um rompimento com o Partido Novo. A manifestação ampliou a pressão sobre Zema e expôs a dificuldade de articulação entre nomes da direita para a disputa nacional.
O desconforto também chegou ao próprio partido do ex-governador. O diretório estadual do Novo em Santa Catarina retirou o convite feito a Zema para participar do 7º Encontro Estadual da legenda, marcado para 4 de julho, em Joinville. A direção estadual ainda advertiu que poderá se posicionar contra a indicação dele, caso não haja uma “mudança drástica e imediata” na equipe de comunicação da campanha.
A nova troca de críticas mostra que a tentativa de unidade entre lideranças da direita segue instável. Com Flávio Bolsonaro e Romeu Zema colocados como possíveis nomes na disputa presidencial, os ruídos envolvendo o caso Master e a estratégia de comunicação dos pré-candidatos devem continuar influenciando os movimentos políticos nos próximos meses.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Brasil tem 25,2 milhões de apostadores em bets ilegais, aponta governo
Leia Mais
Governo bloqueia dinheiro de bets ilegais e mira contas usadas em apostas clandestinas
Leia Mais
Motoristas de aplicativo e taxistas já podem pedir crédito para carro novo pelo Move Brasil
Leia Mais
Lula sanciona piso de R$ 5.130,63 para professores da educação básica
Municípios