Política Nacional
Crise entre Congresso e governo se agrava e ameaça agenda central de Lula
Rupturas com Hugo Motta e Davi Alcolumbre colocam em risco Orçamento de 2026, PEC da Segurança Pública e indicação de Jorge Messias ao STF
27/11/2025
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A tensão entre o Congresso Nacional e o governo Lula atingiu um novo patamar nesta semana, em meio ao afastamento dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ambos se ausentaram da cerimônia de sanção da isenção do Imposto de Renda nesta quarta-feira (26), gesto interpretado como sinal público do desgaste com o Palácio do Planalto.
A deterioração das relações ameaça diretamente pautas estratégicas do governo, como a elaboração do Orçamento de 2026, a votação da PEC da Segurança Pública e a aprovação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Líderes parlamentares avaliam que o Executivo pode sofrer derrotas expressivas nos próximos dias.
Nesta quinta-feira (27), Alcolumbre marcou para o Congresso a análise dos vetos presidenciais, e a expectativa nos bastidores é de uma derrota significativa para Lula, sobretudo nos vetos ao licenciamento ambiental. O embate ocorre em meio a críticas cruzadas e quebra de confiança entre lideranças do Legislativo e interlocutores do Planalto.
A crise política relegou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL), ocorrida no sábado (22), a um segundo plano no Parlamento. A reação da direita tem sido limitada, sem grandes mobilizações.
Falas sobre a anistia circularam apenas nos bastidores, sem apoio explícito das principais lideranças. Mesmo no Senado, apenas sete senadores defenderam Bolsonaro publicamente entre segunda e terça-feira.
A relação entre Lula e Davi Alcolumbre azedou após o presidente não acolher a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o STF, escolhendo Jorge Messias. Desde então, Alcolumbre articula votos para a rejeição do indicado e aprovou no Senado um projeto bilionário que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias — interpretado como recado político ao Planalto.
Mesmo assim, aliados tentam minimizar o conflito e afirmam que Lula deve buscar diálogo direto com Alcolumbre antes da votação final.
Na Câmara, Hugo Motta rompeu com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), após críticas envolvendo a escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto antifacção, uma das prioridades de Lula para a segurança pública.
Apesar de dizer que o rompimento é “pessoal”, Motta acusa o governo de atrasar emendas, não cumprir acordos e permitir ataques públicos à Câmara. Nos bastidores, aliados de Motta apontam para atritos com Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad e Sidônio Palmeira, considerados responsáveis por declarações que desgastaram ainda mais a relação.
Para ampliar sua influência, Motta articulou a formação de um bloco parlamentar com 275 deputados, reunindo partidos como PSD, União Brasil, PP, MDB e Republicanos. O movimento é visto como estratégia para garantir governabilidade e consolidar sua reeleição em 2027.
Com esse tamanho, o bloco pode:
aprovar requerimentos de urgência sem depender de governo ou oposição;
influenciar pautas econômicas estratégicas;
dificultar projetos prioritários do Planalto.
Além do Orçamento de 2026, podem ser afetadas medidas necessárias ao equilíbrio fiscal, como o corte de cerca de R$ 20 bilhões em subsídios tributários. A base de Motta também fala em trancar a tramitação da medida provisória que estimula a instalação de data centers no país.
No Planalto, auxiliares de Lula afirmam que a desconfiança é recíproca e admitem a necessidade de maior intervenção política do presidente para distensionar o ambiente.
Mesmo com a prisão de Bolsonaro anunciada, a direita não conseguiu retomar protagonismo no Parlamento. A discussão sobre anistia avança lentamente, com o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), admitindo impasse interno.
O contraste com agosto — quando bolsonaristas ocuparam os plenários após Bolsonaro entrar em prisão domiciliar — revela uma perda de força do grupo, que agora se limita a discursos no plenário, sem obstrução nem protestos.
A crise, que combina disputa por espaço político, queixas sobre cargos e pressão por acordos não cumpridos, abre um dos momentos mais delicados para o governo desde o início do mandato. A depender da votação desta quinta e da postura de Alcolumbre e Motta nas próximas semanas, o cenário pode evoluir para derrotas sucessivas e mais obstáculos para a agenda presidencial.
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