Política / Senado Federal
CCJ do Senado aprova PL da Dosimetria e plenário pode votar ainda nesta quarta-feira
Texto reduz penas de Bolsonaro e condenados por atos golpistas; relator usa manobra para evitar retorno do projeto à Câmara
17/12/2025
15:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (17), por 17 votos a 7, o chamado PL da Dosimetria, que reduz penas de Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe e aos atos de 8 de janeiro de 2023. O projeto segue agora para análise do plenário do Senado, que pode votar a matéria ainda hoje.
O texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 8 e foi incluído na pauta do plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Caso seja aprovado sem alterações adicionais, a proposta seguirá diretamente para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O relator da matéria no Senado, Esperidião Amin (PP-SC), utilizou uma manobra regimental ao acolher uma emenda apresentada pelo senador Sergio Moro (União-PR). A estratégia teve como objetivo restringir o alcance do projeto apenas aos crimes contra o Estado Democrático de Direito, evitando que o texto precisasse retornar à Câmara dos Deputados.
A medida foi uma resposta às críticas de juristas, técnicos do Congresso e da opinião pública, que apontavam brechas no texto aprovado pelos deputados, capazes de beneficiar também condenados por crimes comuns, como organização criminosa, incêndio doloso e coação no curso do processo.
O texto aprovado pela CCJ estabelece mudanças significativas na execução das penas para condenados por crimes ligados à tentativa de golpe. Entre os principais pontos estão:
Progressão de regime mais rápida: condenados pelos atos de 8 de janeiro poderão progredir do regime fechado para o semiaberto após cumprir 16% da pena, contra os 25% exigidos atualmente;
Redução de pena de 1/3 a 2/3 para crimes de tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado Democrático cometidos em contexto de multidão, desde que o condenado não seja liderança ou financiador;
Prevalência da pena mais grave em caso de condenação simultânea por tentativa de golpe e tentativa de abolição do Estado, substituindo a soma das penas;
Cômputo de tempo de estudo e trabalho em prisão domiciliar para fins de redução da pena.

Segundo o relator do projeto na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), o texto pode reduzir o tempo de prisão de Jair Bolsonaro em regime fechado para cerca de 2 anos e 4 meses, considerando também benefícios por estudo e o período em que o ex-presidente cumpriu prisão domiciliar.
Pelas regras atuais, Bolsonaro só poderia pedir progressão após cerca de sete anos no regime fechado, com previsão de mudança para o semiaberto apenas em 23 de abril de 2033, conforme estimativa da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.
A aprovação ocorreu após a derrota de uma série de requerimentos apresentados por senadores do PT, que buscavam adiar a análise da proposta para 2026. Foram apresentadas três tentativas diferentes de adiamento, todas rejeitadas pela maioria da CCJ.
O tema também gerou tensão nos bastidores. Parlamentares governistas e de oposição acusaram lideranças do Planalto de flexibilizar a posição contra o projeto nos últimos dias. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), negou qualquer acordo. Já o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu um acordo de procedimento para viabilizar a votação, mas negou troca de apoio político.
“No mérito, não fiz troca alguma. Meu partido fechou questão para votar contra”, afirmou Jaques Wagner.
O PL da Dosimetria é visto por lideranças do Congresso como uma alternativa à anistia ampla, defendida por aliados de Bolsonaro. O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que a revisão de penas vinha sendo discutida desde o início do ano como forma de evitar o perdão total.
“Por mais que essas pessoas tenham atentado contra a democracia, eu não gostaria que fossem apenadas além da conta”, declarou Pacheco.
Apesar da tentativa de restringir os efeitos do texto, o projeto segue cercado de controvérsias e foi alvo de manifestações contrárias em diversas cidades do país no último domingo (14), influenciando inclusive a posição de parlamentares do MDB e do PSD.
Se o plenário do Senado confirmar o texto aprovado na CCJ ainda nesta quarta-feira, o PL da Dosimetria seguirá para sanção presidencial, cabendo a Lula decidir entre vetar ou sancionar a proposta.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Justiça italiana autoriza nova extradição de Carla Zambelli ao Brasil em caso de porte ilegal de arma
Leia Mais
PF vai cobrar explicações dos EUA após soltura de Alexandre Ramagem
Leia Mais
Suzano lança celulose marrom de eucalipto e amplia aposta em embalagens sustentáveis
Leia Mais
Justiça de São Paulo decreta interdição de Fernando Henrique Cardoso e nomeia filho como curador provisório
Municípios