Política / Luto
Morre Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública, aos 73 anos
Ex-deputado federal e presidente do IBRAM estava internado em Brasília e tratava um câncer no pâncreas
18/01/2026
21:20
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Morreu neste domingo (18), em Brasília, aos 73 anos, o ex-ministro Raul Jungmann. Ele estava internado no Hospital DF Star, na capital federal, onde tratava um câncer no pâncreas. A morte foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade que Jungmann presidia desde 2022.
Natural de Recife, Jungmann teve uma trajetória extensa na vida pública, com passagens pelo Legislativo e pelo Executivo federal, além de atuação em áreas estratégicas como meio ambiente, defesa, segurança pública e mineração.
Ao longo da carreira, Raul Jungmann ocupou quatro ministérios. No governo Fernando Henrique Cardoso, esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias e também comandou o Ministério do Meio Ambiente. Já na gestão de Michel Temer, assumiu o Ministério da Defesa e, em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança Pública do Brasil, pasta criada para centralizar ações federais na área.
No período em que esteve à frente da Defesa e da Segurança Pública, Jungmann coordenou operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autorizaram o emprego das Forças Armadas em estados afetados por crises na segurança pública.
Jungmann foi deputado federal por Pernambuco por três mandatos e também exerceu mandato como vereador do Recife. Ao longo da juventude, militou no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em sua trajetória partidária, foi filiado ao MDB entre 1972 e 1994, integrou o PPS, migrou para o PMDB e retornou ao PPS em 2003.
Como parlamentar, foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de corrupção envolvendo a compra de ambulâncias, e atuou como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas, durante o referendo de 2005 sobre a comercialização de armas de fogo.
Na legislatura iniciada em 2015, exerceu mandato de deputado federal até 2016. Naquele período, posicionou-se a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, processo que culminou na posse de Michel Temer.
Além da atuação política, Jungmann foi presidente do IBAMA e, mais recentemente, liderou o IBRAM, onde passou a defender uma agenda de mineração responsável, alinhada a princípios ESG (ambientais, sociais e de governança) e ao papel estratégico dos minerais na transição energética global.
Em nota oficial, o IBRAM destacou que Jungmann “dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira, atuando com espírito republicano, compromisso com a democracia, o desenvolvimento sustentável e o diálogo”. A instituição informou ainda que, a pedido do próprio ex-ministro, o velório será restrito a familiares e amigos próximos.
Durante sua passagem pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, Jungmann chegou a ser investigado por suspeitas de fraude em licitação, peculato e corrupção em contratos de publicidade que somavam R$ 33 milhões. O inquérito foi posteriormente arquivado pela Justiça Federal.
Raul Jungmann deixa um legado marcado pela capacidade de articulação política, defesa das instituições democráticas e atuação em áreas sensíveis do Estado brasileiro, como segurança, defesa, meio ambiente e desenvolvimento agrário. Sua morte encerra uma trajetória que atravessou diferentes governos e correntes políticas, sempre com presença ativa no debate público nacional.
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